Equilíbrio é calma.
Começa nos pés
E termina na alma.
Haikai, mania de Gina...
Falo de mim. E de mim novamente. É uma quase esquizofrenia, nada prejudicial, exceto pelo “quase”: Tenho ojeriza a “quases”. Namoros que quase dão certo, cursos que quase termino, oportunidades que quase aproveito e que por um tantinho assim, ó, não foram possíveis.
Em um momento onde queria apenas “desexistir” (o texto é meu, “neologiso” o quanto quiser), pensei em escrever e desisti – olha o quase aí novamente. Para fugir dele, é que este texto está saindo.
Pensa em levantar e se resolver, pensa em como as coisas poderiam ser mais fáceis “se”. E perde-se em pensamentos fantasiosos, efêmeros; fica suspensa entre eles, inerme, alheia à sua situação. Este “se”, ah, é imenso. Representa a exata distância entre dois pontos: a que pensa e a que faz. Pena que não se sabe como atravessá-lo, é íngreme, obscuro, desconhecido. “É” coisas demais!
E, no final, acaba por não ser.
“Entre mim e mim, há vastidões bastantes / para a navegação dos meus desejos afligidos. / (..) / Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza, / só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.“
Cecília Meireles.
(*Texto velho pra caramba que estava na pastinha, me incomodando com sua "quase" publicação. Postei. :)
O poeta é um louco
De uma loucura passageira
Que, embora ele queira
Às vezes não passa...
Não importa o que faça,
Jamais vira gente,
Por mais que ele tente,
Poeta é outro ser...
...só sabe escrever.
Não, nada de devaneios existenciais. Apenas um “pensamento de ônibus” sobre meu assunto favorito: a escrita.
Espere aí, comecemos do início. Sempre que ando de ônibus sem ocupações extras (terminar a maquiagem, ler um livro, jogar tetris) fico pensando em escrever. Em aproximadamente um por cento das vezes eu efetivamente escrevo algo: no geral, fica por isso mesmo. Também no ônibus costumo ficar remoendo as coisas que leio nos blogs que freqüento, e me delicio analisando as características de cada um dos meus autores de blog favoritos. Foi então que percebi que nem sempre é só a forma como escrevemos que se repete: também os tipos de assuntos costumam repetir-se, às vezes de forma velada e, em outras, escancaradamente. Os assuntos, as palavras que usamos, e a forma como escrevemos são a essência da nossa escrita, da nossa personalidade expressada “pela ponta dos dedos” (grazie, Freud). Para encontrar um quê de igual em todos os textos, é preciso ler “alguém” por um longo tempo, ler textos de épocas diferentes pra saber qual a essência de todos os humores, de todas as palavras escritas. Quanto maior a quantidade de textos lidos da mesma pessoa, mais fácil fica de encontrar a “Essência do Igual” de cada um...
Querem ver? Listei alguns dos meus blogs favoritos e sua essência, aos meus olhos: o que mais é evidente pra mim, depois de tanta leitura de seus blogs, afinal, como vivo dizendo nos comentários que faço, sou uma “ratazana” de blogs, sempre à procura do que ler... E sempre encontro.
A Essência do Igual: Assuntos interiores. Cheia de poemas existenciais, é um verdadeiro strip-tease de alma: ela se mostra, pensa em si mesma e se revela da forma mais crua, mais real. Fala dela e de quebra, toca quem lê e penso que seja impossível não se identificar. Palavras bem escolhidas, propositalmente colocadas em destaque de forma harmoniosa; nota-se um certo cuidado com cada palavra e seu significado, como o cuidado de um artista ao pintar uma tela, como fotógrafa a escolher o melhor ângulo, a melhor condição de iluminação para o texto. Um luxo acessibilíssimo e agradabilíssimo (merece os dois superlativos): fácil de interpretar, leitura gostosa como chocolate... Um luxo!
A Essência do Igual: É bem parecida com a do Luís Fernando Veríssimo, ironia e sutileza, praticamente em estado puro. Situações cotidianas têm predominado como assunto, mas quem pode saber qual será o próximo post? Pergunto-me por que é que a minha escrita não evoluiu exponencialmente como a dele!
A Essência do Igual: A amostragem dos textos dela é limitada, mas é possível perceber o desabrochar dela, o frescor das suas idéias deliciosamente disparatadas também nos comentários que ela faz... Leia o blog dela e deixe um comentário: muito possivelmente serás agraciado com um comentário de flor também! (Obtive informações de que está saindo um texto novinho nesta semana!)
Puxa, ficou grande este texto. Preciso parar, senão, ninguém lê! E olha que são tantos os blogs que eu queria dividir com vocês!
Mas são justamente os meus confortáveis refúgios que impedem minha evolução!
Quero um desafio! Quero escrever sem falar com quem lê, ou falar com a distância quase arrogante de Veríssimo e de Pedro. Se falar, que fale direto ao interior do leitor, como a Gina... Se conseguir inventar, que me inspire e crie histórias semi-imaginárias como a Vivi já fez...
Queria respostas puras e sinceras: preciso de material para construir um novo jeito de me expressar... Alguém arrisca? :)
(10/08/2007)
Não me reconheço, em mim. Leio os meus antigos escritos, e me sinto como deveria sentir-se uma rosa desfolhada ao contemplar suas pétalas murchas, ao chão. Estranho aquelas pétalas murchas, que antes me eram tão caras e que agora, já não são mais eu. Passei a reler meus textos e me senti, de certa forma, uma intrusa em meio àqueles pensamentos que já não me representavam mais. Pensei em excluí-los, mas que droga, não há razão para fazê-lo.
Mudei tanto que modifiquei até o que não desejava mudar. Fiz gato e sapato de sensações e sentimentos passageiros e me coloquei por completo naqueles retratos de instantes, de sensações que às vezes não perduravam para além da noite de sono que seguia a escrita... Minha personalidade era rocha firme. Muitas vezes, me magoava ser tão dura assim, mas na maior parte do tempo, ah, como eu gostava...
Gostava, como gosto agora de perceber a sutil evolução dos pensamentos, nas palavras... Percebo que a pétala caída também sou eu, que a folha que se foi já não é, mas um dia foi parte de mim. Vergonha deles? Não. Essas poucas palavras que conseguia expelir para me libertar/desabafar foram o início da jornada mais libertadora da minha vida física: a escrita. Pela escrita, falo com pessoas distantes, com quem jamais falaria, em toda a vida. Falo com pessoas que vejo com freqüência, mas jamais diria o que digo aqui. Mostro-me com a mesma facilidade com que me escondo na vida real, atrás de máscaras de suposto mau-humor ou de fingida timidez. São só máscaras, que caem quando escrevo e que só quem conhece o que há por trás delas, sabe o quanto são falsas... Tão falsas, que já me disseram (inclusive em depoimento no orkut) que é impossível acreditar que alguém acredite em uma Bruna assim.
Escrever é libertar-se. De regras, de gramática e até de si mesmo. Posso repetir palavras, posso sentir o que finjo não sentir, posso ser eu mesma, aquela que em verdade, nem sou. Posso falar o que quiser, não importa se alguém vai ler: eu mesma vou.
Escrever é, também, conhecer a si mesmo. Eu não sabia que era feliz até escrever sobre felicidade, eu não sabia o quanto era cristã até escrever sobre Cristo, não sabia que era poeta até fazer poesia, e nem sabia o quanto amava até escrever sobre amor. Posso dizer então, que simplesmente não sabia quem eu era, enquanto não escrevi.
Existe uma alegoria de Platão que resumidamente diz que nossa auto-imagem é como se estivéssemos voltados para o fundo de uma caverna, observando apenas nossa própria sombra, acreditando tratar-se da realidade. Pois bem: a escrita não é a libertação propriamente dita, mas é um espelho colocado no fundo desta caverna. Faz com que possamos nos ver mais nitidamente, revela pensamentos e sensações que desconhecíamos, até que os escrevemos.
Ops, mais um texto. Mais um pouquinho de mim, para mim. E para quem quiser.
"Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim."
Cecília Meireles, A Grande.
Com o passar do tempo, nos tornamos ‘urnas’ repletas de significados. No início da vida (principalmente até o início da adolescência), tudo nos parece interessante, fascinante e, até mesmo, assustador. Inúmeras situações são capazes de provocar em nós ‘frios na barriga’. Mas com o passar do tempo, tendo já vivido diversas experiências, estas passam a repetir-se e já não nos assustam, nem nos exortam a buscar novas soluções. Muitas vezes, ao invés de nos agitar, de provocar-nos a vivê-las com a intensidade pertinente à agitação que anteriormente nos provocavam, nos trazem lembranças de momentos anteriores. Algumas vezes lembranças nos fazem ficar em silêncio por segundos (ou não), e não raras vezes disfarçamos para não dividi-las com que está por perto. Sem dúvida, o ar de mistério que acaba por se formar devido a tantos pensamentos, lembranças, fatos e significados, é o grande responsável pela alteração no semblante de uma pessoa, em sua maneira de expressar-se, de sentir, de sorrir, de viver.
Ao invés de pensar que estamos envelhecendo, penso que estamos, aos poucos, enchendo nossa ‘urna’, tornando-nos plenos de significados e conteúdo, de razões e entendimento. Ao invés de fugir do tempo e de sofrimentos (que é quase como ‘secar gelo’), por que não aproveitamos as experiências que nos são dadas e tratamos de preencher-nos com cuidado, sorvendo cada gota que se acrescenta às nossas experiências? Mas não com a indiferença com que se toma algum remédio por obrigação, apenas por que não há nada que se possa fazer para evitá-lo, mas sim, com a delicadeza e atenção com que se degusta um doce (ou vinho, não deixemos de analisar a proposta por erro de metáfora, por favor). A vida pode sim (e deve!) ser tratada como uma experiência fantástica e intrigante, e não como uma obrigação penosa. Tomar esta atitude depende única e exclusivamente de cada um. Difícil? Não se pudermos pensar que toda a caminhada começa com um único passo...
Depois deste texto, ai de quem me vier dizer que “a vida não é um docinho”...
O poeta é um louco
De uma loucura passageira
Que, embora ele queira
Às vezes não passa...
Não importa o que faça,
Jamais vira gente,
Por mais que ele tente,
Poeta é outro ser...
...só sabe escrever.
Uma bela paisagem não se afeta com os pensamentos existentes por trás de olhares que se lançam a ela. Vento, sol e chuva, ou então ações de vontades contidas em pensamentos sim, estes podem alterá-la, contando que tenham poder para isto.
Amigos: belos e fugazes olhares, sem poder algum... apenas meros e intrigantes olhares, que afetam a paisagem dentro de suas parcas possibilidades... que apenas a enaltecem conquanto tentam modificá-la por simples desejo de não passar, de deixar de ser olhar, e ser paisagem... (Dorilys)
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De quantos beijos necessitamos para ser rosa?
E quantos elogios são necessários, para que não nos caiam as pétalas?
Com quantas mãos, sorrisos e olhares se faz uma imagem?
E quantas pedras, escarros e lágrimas são necessárias para desfazê-la?
De quantos heterônimos necessitamos para sermos livres?
E qual a dose de realidade é necessária, para que não nos escravizem?
De quantas estrelas necessitamos para que não nos falte brilho?
E quanto devemos brilhar, para sermos estrelas?
(Dorilys)
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Iluminar passos de quem a cerca,
Manter suavidade de flor,
Manter-se imagem diversa
Daquela que vive em dor.
Sorrir aos lábios que escarram
Afagar a mão que apedreja
Fingir que não vê e não sente
O veneno da boca que beija...
Revezando pessoas e faces
Morrer aos poucos, sorrindo
Não crendo que lhes apraza
Que a luz se lhe vá esvaindo
Até que as palavras e cores
Se lhe acabem de todo extinguindo.
Viver... deixar-se levar pela torrente furiosa do tempo,
Onde não se sabe se é sonho ou dia,
Se é chuva ou se há vento..
Viver.. e se deixar ser vivido, sem mágoas, nem escrúpulos
Pois não há noite que sempre dure,
Nem dia, que não se acabe no escuro...
Sentir... não esperar, não buscar, não correr
Não deixar de sofrer, e nem calcular
Há a medida certa para o que acontecer...
Partir... não pensar, deixar o que quer que for
Pois, as lembranças, o que fica pra trás
É o que faz ser eterno o amor.
Inconsciente, sob a lua
Na noite gelada
Ao teu lado na rua
Não lembro de nada...
Alheia a tudo
E de tudo esquecida
Anjo cego, anjo mudo,
De asas caídas
Mensageiro da dor
E da desilusão
Feri teu amor
E o teu coração
Não sou anjo nem flor:
Fria pedra do chão.
Feri teu amor,
Não mereço perdão.