"Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos..."(Freud)

domingo, 20 de junho de 2010

De batom e pijamas

  Não há um equilíbrio entre “ainda longe” e “perto demais”. Quando se é ainda distante, fica a ansiedade, o querer mais, o desejo de proximidade, de descoberta. O desejo de compartilhar mais do que aquilo que os olhos podem ver, e que os ouvidos podem ouvir. Enquanto não houver contato constante e crescente, não há aquela entrega de alma, tão gostosa. Deixar o humor andar de pijamas, mesmo com gente olhando.
  Andar de salto alto é uma delícia que só a transição da adolescência explica. Andar bonita, sorrir bonito, usar batom. Tirar o salto no final do dia é um prazer adulto. Calçar as pantufas, colocar uma roupa quentinha e não ser coisa nenhuma: desligar o “ser” para apenas “sentir” conforto. Sorrisos branquinhos, brincos pesados, pernas cruzadas, a gente gosta, mas deixa pra amanhã.
  Ninguém é Miss o dia todo, ninguém é modelo a vida inteira, por mais que goste. Não há maquiagem que resista ao banho e, ao que me consta, não se entra de sapatos no chuveiro. Sem contar que dormir de cílios postiços é uma tragédia. Isso serve pra alma também, a gente precisa de descanso. Mas não se anda de pijamas na frente de qualquer um. A gente precisa de um mínimo de intimidade, ou confiança, ou o que quer que usemos como critério na escolha de amigos e amores.
  Só que nem sempre se entra no convívio alheio pronto pra encontrar alguém descabelado. Nem todos querem descobrir que chegaram perto de alguém que parecia sedutor e implacável, mas na verdade era frágil e doce. Querem a alma de prontidão, segurança e olhares sedutores mesmo na hora de dar bom dia. Como assim, pijamas?
  Em algum lugar entre o “longe” e o “perto”, a alma despida é bela, as pantufas são uma bem vinda novidade em um momento em que a proximidade iminente está repleta de descobertas; mas quando elas viram hábito, e no lugar do rímel vem a fragilidade, a euforia se despede: já não tem tanta graça assim.
  As pessoas falam sobre relacionamentos que esfriam. Prefiro dizer que apenas constatei que há um momento em que o longe vira perto demais, quando um dos dois não está pronto pros pijamas alheios. 

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Post colorido e cheio de notas

Nada do que eu pudesse escrever diria tudo o que essa música diz. E hoje eu só queria fazer um Post que enchesse o ar e a mente, que pudesse ser sentido e respirado. 

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Não está mais aqui quem escreveu

Protelo, mesmo quando sei que a escrita é a única solução para um desfecho favorável para o meu dia. Protelo porque estou acostumada, protelo porque não sei como será, protelo porque sim. 
Deveria haver uma razão mais óbvia para as coisas que fazemos, para nossas atitudes, desejos e comportamento. Talvez haja e, neste caso, penso que talvez devêssemos estar mais preparados para ver o óbvio com a facilidade de quem analisa uma vida que não a sua. 
Muitas vezes, deixamos as coisas pra depois por cansaço, por comprovadamente não  gostarmos de algo, por sabermos exatamente o que acontecerá. No meu caso, costuma ser diferente: postergo porque desconheço o desfecho, o meio, os procedimentos. Deixo pra depois por medo de não saber fazer, ou de fazer de uma forma comum, sem brilho. É o maldito perfeccionismo me impedindo de existir, de viver. É a maldita auto-crítica que me habitua a perder para a dúvida, para o desconhecido. É o fato de parecer que, se não fizer, deixarei de cometer algum erro. 
O que me faz pensar que sou tão boa que não possa fazer nada que não seja perfeito? Como foi que parei sobre este pedestal da perfeição, que é tão frágil quanto falho, baseado em algumas poucas vitórias que obtive, quando a vida me empurrou para a luta? E, o mais difícil de tudo: como faço para descer?

quarta-feira, 31 de março de 2010

E que venha o outono!

O dia hoje pareceu-me estranhamente colorido, como se alguém houvesse saturado as cores da minha vida. Para cada canto que olhasse, um novo contraste, novas cores. "Terá aquela cerca tido sua pintura refeita? E o céu, terá sido repintado?"
Mesmo nos locais onde haviam cores predominantemente claras, em tons pastéis, havia um placa, um letreiro, uma criança usando roupas coloridas. E todas as pessoas pareciam haver combinado de sair com suas peças de cores mais vivas. Que dia surreal! Seria possível que um sentimento se houvesse transmutado em sensação de forma tão visível, tão perceptível?

O calor aconchegante do sol integrava-se perfeitamente ao frescor do ar. De súbito, senti a necessidade de andar por caminhos diferentes, de dar uma volta maior e ver a praça.
Ah, a praça! Com suas árvores frondosas de cores vivas refletindo a suave luz do sol. Parecia ainda mais bela, iluminada diagonalmente pelo sol da tarde, já inclinado para seguir seu caminho e ceder lugar à noite. Ao olhar para o lado, enquanto caminhava por baixo da alameda lateral, foi-me impossível não deter-me para contemplar por alguns instantes a beleza do chafariz: devido à inclinação do sol, suas águas brilhavam suavemente iluminadas, jorrando em contraste com a sombra dos prédios, como se nelas repousasse a lua, aguardando a noite para retornar ao céu.
E assim transcorreu o dia cujas cores me surpreenderam até o último resquício de luz do entardecer. quando derramou todas as suas cores no pôr-do-sol, um dos mais belos que já vi.
De volta para casa, parei para refletir sobre o presente maravilhoso que Deus havia preparado para mim. Percebi que, ao encontrarmos o equilíbro e a paz, vemos coisas que, até então, não havíamos visto. Com o coração e a cabeça leves, nos permitimos elevar os olhos para tudo aquilo que nos cerca e enxergar de fato. Não é que o amor ou qualquer outro sentimento tornem o dia mais colorido. A verdade é que, quando somos enlevados por sentimentos de tamanha magnitude, nos damos conta - muitas vezes de forma interior e subjetiva - da verdadeira dimensão e significado da vida.

E que venha o outono! É primavera no meu coração.

domingo, 28 de março de 2010

Virando a página.

O ano passado representou a realização de um dos meus maiores sonhos, e a concretização do meu objetivo mais arduamente perseguido: concorrer ao título de Soberana da Festa da Uva.
Foram muitos percalços, muito estudo, muita batalha para que tudo o que vivi fosse possível. Mas o principal é que não foi uma tarefa realizada unicamente por mim: foi um trabalho de muitas mãos. 
Sem o apoio de tantas, mas tantas pessoas que não posso sequer pensar em enumerar, nada teria sido possível. 
Porém, embora eu permaneça Embaixatriz até o ano que vem, e pretenda continuar a exercer o cargo com a mesma dedicação que tenho tido até então, acredito que agora tenha chegado a hora de deixar que a Festa da Uva se torne, gradualmente, uma grata lembrança em minha história. Para que eu realmente possa me despedir desta rotina, é necessário que eu siga meus próprios ritos de passagem, entre eles, marcar o final deste conto de fadas moderno com uma postagem aqui no blog, que já carrega em suas linhas mais de quatro anos de história. 

Em primeiríssimo lugar, quero agradecer ao SIMECS, por tornar meu sonho possível e por compartilhar comigo o amor pela Festa da Uva, e por Caxias do Sul. À minha família e amigos, pelo carinho, amor, suporte e dedicação: sem vocês, eu jamais teria vivido este sonho tão intensamente. À Comissão Social, pelo cuidado com cada uma de nós, e por tudo o que nos proporcionaram neste período. Às minhas queridas mestras Tânia, Ciana, Regyna e a cada um que contribuiu com seu conhecimento e vivências durante todo o concurso para meu crescimento pessoal, meu agradecimento mais profundo e emocionado: vocês modificaram para sempre quem eu sou, de uma forma que jamais poderei expressar ou agradecer. Às Embaixatrizes e Soberanas da Festa da Uva de 2010, pela companhia, pela alegria e por dividirem comigo essa caminhada com todos os sentimentos e sensações que ela trouxe. Para sempre estaremos ligadas por esse laço secular e histórico, tão grande quanto significativo chamado Festa da Uva. Por fim, à toda a comunidade caxiense, pelo vivo afeto e respeito, por darem tamanha importância e significado a todos os dias empenhados em nossa função: muito obrigada. 

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Para sempre Embaixatriz do SIMECS (♥) na Festa da Uva de 2010.
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E, por fim, registro aqui o agradecimento feito em minha página pessoal no Orkut, e nas comunidades que foram feitas com tanto amor e carinho para apoiar minha candidatura: 


Queridos!
Trabalhei muito, vivi muito, senti muitas coisas. Fui muito feliz nestes quase três meses, e muito disto devo a vocês, por todas as coisas boas que ouvi, por tanto, mas tanto carinho que recebi. Tudo isto vai ficar para sempre gravado em minha memória e em meu coração. Vocês todos, que manifestaram seu apoio e afeto, tornaram o concurso algo muito mais significativo pra mim, e transformaram o resultado em uma sensação deliciosa de dever cumprido.
Eu só terei a agradecer, para sempre, por tudo o que tive o privilégio de viver.
Contem comigo para sempre, e recebam todo o meu carinho e gratidão.
Um beijo enorme no coração de cada um de vocês. 

domingo, 21 de março de 2010

Entre sonhos e objetivos

Alguns dizem que a vida é feita de momentos e que, como tal, devemos aproveitá-los ao máximo, extrair deles tudo o que puderem nos proporcionar. Outros insistem na máxima de que a vida é o próprio caminho da busca pela felicidade e, como tal, devemos viver intensamente a cada curva.
Seja como for, a vida é para mim, uma soma de aprendizados. É uma coleção de experiências que me enriquecem como ser humano, me modificam a cada acontecimento, me dizem como continuar a caminhar nesta estrada fascinante. E fazem de mim tudo aquilo que sou.
Estou prestes a começar uma nova etapa da minha vida. Uma etapa fascinante, enriquecedora e com promessas de muitas descobertas a fazer. Em troca de todo o conhecimento e alegrias que este período da minha vida poderá me proporcionar, ele exigirá de mim dedicação de lutadora, foco e muita perseverança. E sei que não estarei sozinha: tenho a sorte de poder contar com pessoas muito especiais, para fazer dos próximos meses, inesquecíveis. 

E que venha a vida, que venha 2010 e o Miss Rio Grande do Sul! Estarei com o coração e a alma preparados para eles.

O Extemporâneo

Porém, o difícil de aceitar, e portanto imposível de perdoar, é o extemporâneo: descobrir de repente uma pessoa comedida tendo uma atitude terrível e inesperada, surpreênde-la fazendo algo muito alheio a sua forma de ser. E não importa que depois de seu deslize volte a ser o poço de virtudes que era antes, nem que redobre uma bondade que já era grande. Nada, nem o mais extremo sacrifício conseguirá apagar essa única falta. Porque, em casos assim, não se trata de um "Dr. Hyde" ou demônio conhecido, mas de uma conduta extemporânea. E a extemporaneidade é aterradora. A extemporaneidade ninguém entende, porque introduz um fator imperdoável nas relações: o desencanto.


Fonte: Blog da Paula Taddeucci

Contradição

Somos todos versados em auto-torturas e desejos impossíveis. A felicidade só nos parece atraente se for libertadora, salvadora e inconstante, nunca contínua. Talvez por isto, mais do que nunca, estejamos juntos, estejamos perto. Porque nada substitui a dor e a delícia de um desejo eterno de felicidade. 
Falar disto não significa que eu, necessariamente o creia ou, menos ainda, que o queira. Mas é como me soa que as almas ajam, é como me parece que a vida siga; insistir no que dói, no que arde, no que enche de pavor, é um atributo exclusivamente humano. 
O amor, também este um atributo humano, ou é assim, ou é idealizado.

Si, si, ci voglio andare...*

São curiosas as formas que temos para preservar as memórias. Fotos, escritos, objetos. Todos eles, de alguma forma, são capazes de nos fazer recordar tempos passados. Mas a música, em especial, é a que mais me fascina. Mais do que apenas a lembrança dos fatos, ela pode nos remeter à sensação plena de momentos vividos. Ela provoca dores e sentimentos, saudades (ou mesmo alívio) pelo que se foi. Quanto mais preservada, quanto menos a tivermos ouvido depois de passado o momento que ela marca, mais intensas serão as sensações revividas, quanto tornarmos a nos entregar a ela.


Lembranças... Às vezes tenho a sensação de que poderia viver delas.


"...andrei sul Ponte Vecchio,
ma per buttarmi in Arno!
Mi struggo e mi tormento!
O Dio, vorrei morir!" *
*(O Mio Babbino Caro, Giacomo Puccini).

Un'altro strapo, un'altra pezza*

Tenho desejos incoerentes, de aventura e sossego, de amor e de paixão, de companhia e de autenticidade. De sonhos e de realidade.
Tenho receios de despertar alguém que possa cumprí-los todos, por que esse alguém também os pode destroçar. E com todos os meus desejos despedaçados, me despedaço também eu. 
Por amor ou por inércia, mantenho-me inteira (mesmo que com remendos), mantenho-me em pé,  lado a lado com a caixinha dos sonhos, mesmo temendo que dela saiam meus piores pesadelos e que eles me puxem pelo pé. 


E começo a crer que a diferença entre a verdade e a mentira encontra-se precisamente no quanto queremos crer. Em qualquer uma delas.




*Um outro rasgo, um outro remendo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Espinhos

    Quando queremos escrever alguma coisa, é necessário que antes coloquemos nossos sentimentos em ordem, da mesma forma que, para falarmos, é necessário organizar os pensamentos. Mas nem sempre a escrita consegue ser fruto de um pensamento centrado, ou de uma ideia exaustivamente pensada. Muitas vezes, sentimos apenas a necessidade de, com a escrita, alinhar a vida e o dia, consertar o coração e sossegar a alma. Queremos jogar sobre as letras os frutos que nossa alma produz, sejam eles doces, amargos ou insípidos. 
    Às vezes, nossa harmonia é quebrada, e nem sempre conseguimos identificar a causa exata, quanto menos a solução. A escrita não deveria servir de desabafo, mas é ela quem se impõe: o papel grita pela caneta, a caneta clama pelo papel e ambos se jogam, ao mesmo tempo, em nossas mãos. Nos fazem buscar, revirar e perscrutar nossa alma, em busca de qualquer espinho para ser expurgado. 
    Uma vez que o tenhamos feito, teremos então um texto, algumas descobertas e uma ligeira sensação de desabafo. A partir daí, só nos será necessário buscar coragem para deixar de lado os espinhos do pensamento e enfrentar os que nos impedem, verdadeiramente, de restaurar nossa harmonia.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Viagem, poema antigo

A luz que vi em teus olhos
refletida na lágrima tua
quando eu disse pra olhares a lua
será minha última imagem
antes da tua partida
rumo à amarga viagem
que vazios deixou os meus braços
pendendo tolos, inermes,
inúteis sem teus abraços.
Inúteis como minha voz,
no vácuo, onde o som não se ouve;
inúteis como a foz
de um rio, onde água não corre;
tolos, como a poesia
que nestas palavras morre;
tolos como o poeta
que, estando coberto de dor,
imita sua poesia
e há tempos morre de amor.


Escrito em 25/11/2003.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O desejo de [não] dizer

Toda a palavra escrita é fruto de um desejo. Desejo de companhia, de expressão, de notoriedade. Em frases tristes, há uma necessidade de compreensão, de justificação. Ou de salvamento. Na publicidade, desejo de indução, de formação de opinião, de convencimento. Há palavras escritas com desejo de resposta. Outras, com o de solidão.
Por que falo sobre escrita e sobre desejo? Pelo fato de que um texto que iniciasse com desejos explícitos de maneira clara não poderia ir muito longe. É o nosso papel fazer-nos entender ao longo do texto. 
O que eu queria, ao escrever este texto, era ir muito além do alcance das palavras. Ir além do alcance do tempo, e permitir que meu desejo fosse conhecido mesmo depois de expressado e esquecido. Superar o espaço e encontrar, em determinado ponto do planeta, a causa da movimentação da minha alma e de seus quereres e dos meus dedos, quando escrevem.
É uma vontade de dizer sem dizer, de querer estar perto, de ser entendida sem precisar ser clara. É vontade de vida, de poesia, de compartilhar o que há tempos já não existe.
No final das contas, é um querer fazer saber o quanto alguém é importante. É a vontade de satisfazer um pequeno desejo do objeto dos meus.

sábado, 17 de outubro de 2009

Conversa em branco

Queria muito que a distância não houvesse, que a internet ou a falta dela não me limitasse. Mas penso que isto é o que vai acabar salvando tudo.
Queria também, não ter a cabeça cheia de idéias e a alma de desejos, não ter tantas alternativas e possibilidades, não ter nada além de uma única saída. Não ter que pensar sobre as minhas escolhas, uma vez que elas estivessem feitas.
Não ser tão complicada e tão reativa. Não ficar insegura quando algo se modifica ou desaparece. Não precisar tanto de coisas nunca tive.
E nem sei se terei.
Queria ser mais adulta, e não ser tão adulta assim.
Queria correr pro final da história, e descobrir o fim.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Feliz dia do Encorajador!

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".

(Rubem Alves)

Um feliz dia a todos os educadores. Que a alma de Rubem Alves esteja conosco - sim, também eu me coloco neste desejo de sabedoria. Porque, ainda que não seja como professora diplomada, uma vez que mudei o rumo da minha vida e troquei espero viver por toda a minha vida como um "anjo engravidante"*, a semear o desejo, a curiosidade e a descoberta.
Que tenhamos eternamente a vontade de incentivar a auto-construção, na mesma medida em que a desejamos e buscamos para nós mesmos.


* (Rubem Alves, "Entre a Ciência e a Sapiência".  Editora: Loyola, 2002)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

CDF.. Só se o "F" for de feliz


   Algumas vezes já me perguntaram qual o "segredo" para ir sempre ir bem na faculdade, o "truque" das minhas boas notas (a maioria, pais e mães). Impossível não recorrer ao óbvio - estudo e dedicação. O principal de tudo é querer aprender, encarar cada trabalho e tudo o mais o que acontece na vida (dentro e fora do campus) como fonte de aprendizado e crescimento e nunca dar-se por satisfeito com a nota média, jamais se conformar em ser mais um. Em tom de brincadeira digo que "sobreviver" ao final do semestre é para os fracos. 
    Pensando sobre o assunto percebi que, além da fórmula conhecida, o macete principal tem sido respeitar a mim mesma: minha alma, meus desejos e capacidade física e mental. Sou do tipo de pessoa que necessita de ambiente visual para ser feliz. Nem o melhor trabalho do mundo poderia me satisfazer plenamente se eu tivesse que passar todos os dias, o dia todo, em uma sala escura e fechada. 
   Se há algo que me tenha feito falta, nos anos em que estive em outra instituição de ensino, foi o campus. A estrutura da UCS (por mais que pudesse ser melhor em muitos aspectos, em especial, tecnologia) não tem comparação em termos de espaços e arquitetura.
   É de pequenos momentos que minha vida universitária é feita. Além do meu amor pelo conhecimento em si, que me move e motiva a participar das aulas com mais vontade do que é comum à maioria dos estudantes universitários da minha faixa etária, são os momentos agradáveis e o contato com a natureza antes e depois de cada aula que permitem que eu tenha vontade e disposição para enfrentar até três aulas seguidas.
   Entre uma aula e outra, tomar um café em um dos diversos bares e cafeterias da UCS, em companhia dos melhores [futuros] jornalistas e publicitários que já conheci, ou então circular, entre um bloco e outro. Sentar na grama, nas cercanias do CETEL ou realizar nossa histórica "farofada" semestral entre a biblioteca e os fundos do centro de convivência, ao lado de um dos laguinhos (repleto de tartaruguinhas) da UCS. Ler um bom livro ao na escada ao lado da cascatinha do centro cívico. 


Não é a escalada em si. São os morangos do caminho. 
Igualmente óbvio, mas este é o segredo. 

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O Outono e Eu.


Fotos: Bruna Scopel Moreira

Canção de outono

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida...

Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
de carícia a contrapelo...

Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma...
mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte alguma!


Mario Quintana
(1906-1994)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Entre ver e olhar

A Fotografia é uma coisa mágica. Eu sentia uma vontade doida de pintar meus pensamentos com todas as cores do mundo, mas faltava-me o talento para as artes plásticas. Eu recorria à escrita, que me permitia retratar descritivamente as cores da minha alma. 
Ainda assim, faltava a arte de dizer aos olhos, faltava a cor, a luz e a imagem, onde a palavra é implícita. 
A fotografia, de certa forma, supriu esta necessidade de comunicar, que a escrita, por si só já não era capaz de sanar. Faltava-me o verso sem som, faltava a poesia escondida, interpretada de forma diferente a cada olhar. Faltava a sensação de capturar e preservar jardins eternamente. 
Dentre tantas coisas que podem ser ditas a seu respeito, gosto do fato de a fotografia lançar um olhar atento ao que geralmente, a gente olha, mas não vê. Estas árvores da foto, por exemplo, estão situadas no coração do campus da Universidade de Caxias do Sul, mas garanto que nenhum aluno seria capaz de identificá-las. É um local de fluxo intenso, onde as pessoas passam, apressadas, e possivelmente nunca olham para cima. Eu mesma, não me lembro de tê-las percebido antes do dia em que tirei esta foto.
Há uma frase de Mário Quintana, que diz que "O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente."
Aprender fotografia, mesmo que minimamente, resgatou muito mais jardins do que as palavras que uso neste momento poderiam explicitar. 
Libertou-me a alma para expressar em cores, ensinou-me a fazer poesia com a luz e, o principal: treinou-me o olhar para que nunca mais os jardins da vida me sejam indiferentes. 

sábado, 5 de setembro de 2009

Ciclos de Outono





Afinal...
quem está pronto pra cair?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Importa "como" falar

A internet nos permite dois prazeres paradoxos: o de estar só e acompanhado ao mesmo tempo. Ferramentas como o twitter, por exemplo, facilitaram a expressão de sentimentos, sensações e pensamentos, dando a impressão de que haverá alguém pra nos ouvir, a qualquer hora.
Com isto, as pessoas têm extravasado exatamente aquilo que estão pensando, sentindo e fazendo, mas sem ponderar sobre o assunto, ou sobre a forma de explicitá-lo. Nos deparamos então com manifestações como "bom-dia", "indo pro banho", "cansada, vou dormir", "nada na geladeira", "boa-noite".
Não pretendo entrar na questão da relevância da informação, porque as pessoas não tem a obrigação de nos divertir ou informar a cada mínimo tweet - aí entra a máxima: "Não gostou? Clica em unfolow".
Mas sustento a opinião de que um mínimo de pensamento sobre o assunto, antes de postá-lo é vital. Isto inclusive satisfaz de forma mais eficaz o desejo enorme de comunicar que grande parte dos usuários de blogs tem. Nos proporciona satisfação com o nível da nossa comunicação.
Moral da história: Não importa saber quem entrou no banho ou foi comprar pão. Quando um ato corriqueiro do dia-a-dia gera um sentimento ou pensamento que, por sua vez, dá origem a uma manifestação verbal, aí sim importa. Mesmo que não seja necessariamente divertido, sutil ou profundo, tenho a certeza de que será mais significativo.

Os followers (e a blogosfera em geral) agradecem.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Pocoyo!

Um dos meus pequenos prazeres é assistir a um desenho chamado Pocoyo. Não sei bem que resistente resquício de infância transformou esta animação, feita pra um público de três ou quatro anos, em uma diversão de gente grande. O fato é que é tão gostoso quanto assistir um seriado bom.

Ele é simples, com personagens coloridos em um fundo branco. Infantil, mas não "idiota" (como eram os telettubies, que eu considerava um programa deseducativo). O Pocoyo é um menininho (fofo!), que aprende coisas a cada episódio, e que fala todas as palavras direitinho. Voluntarioso, pra entender algumas coisas, precisa da ajuda do narrador e dos "amiguinhos", os quais só conhecemos as vozes. Tem outros personagens - a cachorrinha Loula, a Elefante Elly, o pássaro Sonequita, e o Pato. Adoro até a trilha sonora, que é uma gracinha.
Quando nos damos conta, estamos respondendo às perguntas do narrador e conversando com os personagens - quando não imitando o Pocoyo.

Todas as pessoas até hoje, que conheceram Pocoyo (e que eu tenha presenciado), não só gostaram, como viciaram. Uma pena que, em português do Brasil, só hajam três episódios no Youtube. Um deles aqui.
Enjoy it!

[Update] E é possível assistir Pocoyo todas as madrugadas, no Omedicast. Bem lembrado, André Maltempi.

O essencial é invisível aos olhos

O valor das coisas está no valor que podemos atribuir a elas. Uma casa pode não ser só uma casa, ela pode ser a lembrança de um dia de sol, de um arco-íris, de brincadeiras, de banhos de chuva. Uma foto pode ser mais do que uma imagem: tudo depende de que tipo de pensamentos ela pode evocar, que cena ela retrata, e qual a importância deste momento pra alguém.
Essa manga retratada na foto tem muita história. A história da foto, no qual foi baseada sua releitura; a história da viagem que fiz para conseguir a foto (e de tudo o que aconteceu neste percurso), a história da decisão em fazê-la, a história dela mesma, dos momentos que passei com ela. As sensações que ela evoca, as imagens, pensamentos e pessoas, tudo isto tem um valor muito grande em significado que eu espero, um dia, poder transmitir com a amplitude de alma que ela merece.

(título: frase de Antoine de Saint-Èxupery)

Gigante

Engraçado, as crises da nossa vida vão nos dando forma e nos definindo. Mas a cada uma delas, a sensação é de que nos perdemos e perdemos nossa essência. Cada momento difícil traz uma série de aprendizados e mudanças - nem sempre conscientes e raramente solicitados.
Mas a gente cresce, a gente evolui. E, depois que passa, fica pronto para a vida, pronto para novas batalhas. Pronto para usar tudo aquilo que aprendemos, na conquista de novos espaços.

***

O problema é que, de tanto crescer, ela virou um gigante. Um gigante grande e desajustado, que procurou espaço toda a vida, esperando o momento certo de buscar e assumir o espaço final, tão querido e sonhado, para o qual tratou de aprender e crescer tanto quanto pode.

Acho que não vai caber em lugar algum, de tanto que cresceu com a perda deste espaço.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pensando

Que às vezes dá medo de sonhar tão alto, de fingir que o mundo é sincero. De acreditar nos valores dos seres humanos (nos valores pregados pelos seres humanos, não nos praticados).
Será que depositar sonhos de toda uma vida em mãos alheias é realmente uma boa idéia? Será que eu não deveria guardá-los pra mim, e mantê-los como uma eterna possibilidade, um eterno sonho?
Eu escolho duvidar do que ouço, e acreditar no que sinto.
Só espero que, tão alto quanto meu sonho, não seja a queda.
Que, tão certa quanto minha capacidade, formatada por toda uma vida, seja a chance sem méritos de outra pessoa.
Texto cinza, para tentar fazer um contraponto ao meu humor para permanecer próxima do chão.
Mas é tão difícil! O mundo tão está lindo, colorido, e pleno, que dá vontade de não passar destes dias nunca mais. Dá vontade de nunca mais desacreditar das coisas boas.
E de agradecer a cada um que passa por mim, tamanha é a minha felicidade.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Aqui pra você, Auto-crítica!

A necessidade de expressão é algo muito presente em mim. É algo que sinto, mas que talvez nunca viva plenamente, porque a necessidade que tenho de me expressar é diretamente proporcional à impossibilidade de fazê-lo.

O motivo? A auto-crítica.

Por mais necessária que seja, por mais falta que faça em quem não a tem, tê-la em excesso é complicadíssimo. Impede que textos sejam postados, idéias sejam expressadas e situações deixem de ser vividas.
Por exemplo: pra que este texto saia, preciso fechar os olhos para a obviedade da situação que descrevo agora. Digo que a auto-crítica é necessária, mas que seu excesso é prejudicial. Com isto, culminaria em um ponto do texto onde eu diria que a chave está no equilíbrio, entre a falta e o excesso. "Excessivamente óbvio para ser postado", diria Dona Auto-crítica.

Eu gostaria muito que minha auto-crítica tivesse forma, olhos e uma expressão ridiculamente severa, pra que eu pudesse chegar bem pertinho, olhar nos seus olhos, encher os pulmões de ar e dizer um sonoro "E daí?"

Oras.

(E sem revisão, só pra ela ver quem manda aqui.)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Feliz todos os dias (e não só hoje!)

"Olá Garotas" (by Bruna Foca)!

Quantas coisas tem acontecido conosco nos últimos dias, não é mesmo?
Um monte de sensações novas, diferentes; lugares, pessoas, histórias e oportunidades de crescimento, coisas que temos vivido e conhecido neste tempo.
E quantas risadas, não? Quantas alegrias, quantas correrias, quantos truques (pra não quebrar unha, pra não doer pé, pra não sair maquiagem), quanta ajuda, quanto aprendizado, quanto suporte, quantos sonhos...

Estivemos juntas até aqui, às vezes nos vendo mais do que à nossa família, especialmente nos finais de semana. E este brotinho de amizade e esta união linda que está crescendo a olhos vistos entre nós tem sido fundamental pra que os dias tenham sido tão "coloridinhos" e tão cheios de vida!
Estamos nos conhecendo melhor a cada dia e, a cada encontro, me sinto mais e mais privilegiada por estar vivendo este momento e especialmente, pela oportunidade de conhecê-las.
Sabem que às vezes, tive vontade de perguntar no meio de uma conversa, "Onde tu estavas todos estes anos, que eu não te conheci antes?" :]

Quero que saibam que, como grupo, vocês são tudo o que pedi a Deus, durante os meses que antecederam o concurso.
Como pessoas, são muito mais do que eu poderia pensar em pedir!
Conquistar a amizade de vocês, dia após dia, tem sido um privilégio, uma dádiva, que espero poder retribuir de coração.
Tenho orgulho de fazer parte deste grupo que se apóia, que se conhece melhor a cada dia, e que é formado por gente que vale muito!

Desejo a todas nós muito sucesso! Que Deus permita que tenhamos a oportunidade de aprimorar os sentimentos que existem entre nós, para que permaneçamos ligadas de coração por muitos e muitos anos!
Que nós continuemos a nos encontrar sempre, e que possamos comer juntas todos os salsichões com pão a que temos direito! Hehehe...

Que quebremos muitos recordes ainda, que a nossa (sim é NOSSA, garotas, e niguém tira!) edição da Festa seja a melhor, mais linda, mais TUDO de bom que as outras (o que vai dar trabalho)!
Que o nosso grupo surpreenda ainda mais a todos pela união, pela amizade e pelo engajamento, e que fiquemos na história como o melhor grupo de embaixatrizes de todos os tempos!!

Amo vocês!

PS: Sim, tudo isso era pra dizer Feliz dia do Amigo. Mas tinha sentimentos aqui pra mais uns dez e-mails desse tamanho!"


(Optei por postar, porque considero que a homenagem é merecida.)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Afiando o Cálamo...

Paviani retratou tão deliciosamente a diferença entre Memória e Lembrança, que me convenceu a dar vida ao "Diário de Candidata". Palavras, sempre elas...

Mas o que quero retratar aqui é diferente do que se esperaria de um diário. Quero registrar o que realmente é necessário ser guardado - sob pena de evaporar-se dos baús da memória: as sensações, os sentimentos, os sabores; a doçura destas dias tão especiais, que tem imprimido um colorido tão novo, tão diferente à minha alma. Quero pintar estas cores da forma como aprendi a fazê-lo - com a escrita - para guardá-las para sempre no estado exato em me impeliram a expressá-las.

Tenho a certeza de que, a cada vez que eu os reler, viverei novamente as sensações destes dias, assim como ver uma fotografia antiga nos faz viver denovo momentos que já foram.
Afinal, não seriam as palavras - a exemplo da fotografia, que retrata imagens - um retrato da alma no exato instante em que são escritas?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Primeiras trocas

          Sábado, aula de italiano. Surgem inevitáveis perguntas sobre o concurso (perguntas que, aliás, muito me alegro em responder).
          Em lugar do despojo (ok, desleixo) habitual dos sábados pela manhã (ok, de todas as manhãs - e de algumas tardes também), vestes adequadas, maquiagem condizente e cabelos escovados. E o mais surpreendente: botas de salto alto. Onde estão os tênis? "Posso ver que já assumiste a postura do concurso: já estás vestida de acordo". Claro, digo eu. E penso: "Agora é hora de ser adulta".
          Guardei os tênis - antes, sempre soltos pelo quarto, à mão - em uma gaveta de calçados. Antes de deixá-los, olho para eles com a ternura de quem contempla parte de si. Eles diziam tanto sobre mim!
          Depois dessa nossa última conversa silenciosa, fecho a gaveta com um suspiro. Deixei naquela gaveta muitas coisas sobre mim, coisas que não condizem com o grande momento que se aproxima. Para trás, deixo tudo aquilo que contraria o que construí e busquei, para que um sonho, o de viver algo maior que eu, se realize. 


          Guardei na gaveta os tênis, meu desleixo, minhas incertezas e inseguranças. Em troca, ganhei a leveza no meu sorriso. 
Leveza... Adjetivo perfeito para quem tem um longo e brilhante caminho pela frente. 


Escrito em 08/06/2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Pessoas I - Túmulos

Pessoas. Elas me fascinam, porque são incógnitas: são como caixinhas fechadas. Extrair seu conteúdo real pode ser fácil, difícil ou impossível; às vezes, pode levar um tempão.
Pessoas desiludem. A gente encontra conhece e convive com elas, e quando vai olhar dentro, descobre que não tem nada lá, ou pior: o que a gente encontra nelas é feio e triste. Aí, mesmo que a parte de fora seja absolutamente linda, a gente começa a olhar diferente, começa a perceber no exterior traços da feiúra interna, e o que era bonito, derrepente fica feio, sem graça. Dá pena.
A maioria das pessoas é assim, chega a dar medo de sair por aí abrindo caixinhas... Tenho passado meus dias em meio a estas criaturas, que são como túmulos: por fora, paredes brancas de caiação, por dentro, cadáveres em decomposição.


"And I've been smiled for them for the past last months. But what I really wanted was to cry. Sad, sad."

quinta-feira, 12 de março de 2009

Nem tão óbvio assim.

Uma das características mais marcantes de um mau-dia é que ele parece não terminar nunca. Um mau-dia é feito de várias coisas (fatos e fatores), dispostos ao longo do dia de forma totalmente caótica.

Caos?

Atraso. Café frio. Sapatos desaparecidos, roupas amarrotadas. Mau-humor. Bolsas pesadas, ônibus perdidos, trabalho. Mais mau-humor.

Incoerências, relatórios que não funcionam, planilhas pouco intuitivas, desordem. Conversas improdutivas, gente que não te entende, gente que não entende de coisa nenhuma. Mentiras.

Cansaço, correrias, táxi-lotação errado, mais atrasos. Esperas intermináveis na porta da sala, matéria perdida, eu perdida.

Ônibus que não chega nunca, frio que sempre chega quando menos esperamos. Salto alto e dor no pé. Dor de cabeça.

Outro ônibus que não chega, fumaça de churrasquinho, fumantes que não pedem licença pra fumar em cima da gente e ainda soltam a fumaça assim ó, bem na nossa cara. Pensamentos inoportunos.

Pensamentos insistentes e inoportunos. Decisões incertas, Amores que crescem separados, indecisões e remorsos protelados. Culpa. Outro fumante.

Caminho de volta, bolsas, sacolas, pensamento lento, conversas interessantes.

Coisas pra fazer, dor de cabeça, carboidratos tardios. Preocupações antecipadas.

E, o pior de tudo, a certeza de que recomeça tudo amanhã.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Uma forma musical de explicitar...

         Nunca dei bola pra "desafios entre blogs", detesto correntes virtuais de qualquer tipo. Essa mania de "passe adiante", os famosos "memes", como são chamados na blogosfera raramente parecem que darão um "caldo", literariamente falando.
Mas tenho uma implicância especial com os "memes" para eleger os melhores blogs: neste caso não vale conteúdo, valem os contatos. Tenho muitos blogs maravilhosos nos feeds (caso do riozebratubo.wordpress e do paradoxium.blogspot) que não brincam de rede social com seus blogs e, portanto, jamais seriam indicados pra este tipo de competição. Uma injustiça.

Meus "blablás" pseudo-intelectualistas-mau-humorados à parte, encontrei um interessante no "Dália Rosada", e penso que este possa ser significativo em termos de expressividade. Vou fazê-lo até mesmo porque, ninguém me indicou e eu não irei indicar a ninguém, logo, não é mais corrente. :D

1-Colocar uma foto individual
2-Escolher um artista ou banda preferido
3-Responder as questões com os títulos das canções do artista escolhido.
4-Escolher 4 pessoas para passar o desafio. - Há!



1. Foto:



2. Avril Lavigne (Trilha sonora do meu Ensino Médio. Em termos de diversidade dos títulos, penso que vá facilitar minha vida).


3. Respostas:


És homem ou mulher?
One of those girls

Descreve-te:
Anything But Ordinary

O que as pessoas pensam de ti?
Complicated :)

Como descreves teu último relacionamento?
Tantas possibilidades... Deixem-me ver.
He wasn't - pelo título.
My Happy Ending - pela letra.

Descreve o estado atual de tua relação:
I can do better

Onde querias estar agora?
Knocking on a Heavens Door ;)

O que pensou a respeito do Amor?
Things I'll Never say

Como é a tua vida?
The best damn thing o/

O que pediria se pudesse ter um só desejo?
I always get what I want - Há!
Eternity (but I already have it ;)

Escreva uma frase sóbria:
(I'm not) Nobody's fool.




Expressão é a Intenção. E pontoponto. :)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A grande questão

A questão das questões...
E enquanto eu não resolvo, vácuo aqui.
: )

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Decisão, poesia incerta...

Houve uma época em que o motivo e a saída de tudo era a poesia. Escrever um poema resolvia o dia, e nada era entendido, a menos que eu escrevesse sobre.
Quando estava triste, mas sem conseguir escrever uma rimazinha sequer, bastava uma brisa pra que as palavras pululassem na minha mente, como que despertas de um sono secular. Uma lufada de ar fresco (especialmente do ar da noite), vinha sempre carregada de desejos e sensações propícios à escrita de um poema.

Perdi o hábito de escrever poemas, mas eles não deixaram de ser a forma mais adequada de expressão para o que, de outra forma, não ousaria externar. Há que se buscar uma certa sutileza para manter a vida passível de ser vivida.

Há um poema que escrevi aos 15 anos que, nem mesmo na época em que foi escrito, foi tão adequado quanto agora.


Decisão

Coração fechado, mente aberta
Analisando uma fria proposta.
O vento traz a palavra certa
E ameniza a dor da ferida exposta.

Decisões a serem tomadas
Sozinha, trazem tormento
Já não penso, nem sei de mais nada:
São outros os meus pensamentos.

Humanos são dor e alegria,
Amam e sabem pensar.
Poeta, é só poesia,
Só canta e se deixa levar...

Decisão, poesia incerta...
Perdoem-me a falta de jeito:
Meio humana, meio poeta,
Não canto e nem penso direito...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

I hate being so far....

(8) But they where my mind lies....

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A Pipoca e seus efeitos alucinógenos.

Cenário: Eu, pai, mãe, sentadinhos na varanda de casa, em uma agradabilíssima e primaveril tarde de domingo. Pai na Rede, Mãe e eu em espreguiçadeiras de praia, e a súbita e brilhante idéia de coroar a tarde com uma tigela de pipocas e chimarrão.
A felicidade é tanta que o clima da conversa fica totalmente "nonsense". Em meio a muitos risos e a comentários pseudo-filosóficos, meu Pai deixa escapar uma frase poética em homenagem à pipoca. Imediatamente, aderimos à brincadeira, cada um lançando uma frase para dar continuidade ao "poema". A felicidade às vezes é mais poderosa que qualquer estimulante... E estávamos felizes, simplesmente por estarmos juntos.
O resultado ficou bizarrinho, e está aí embaixo. : )



Ode à Pipoca

Tão Branca, tão fofa, tão bela,
A me olhar, com suas casquinhas amarelas.

Desde os tempos em que o homem vivia em ocas,
Passava as manhãs e as tardes comendo pipoca.

Tão crocante e tão salgadinha,
Foi feita na minha panelinha.

E não importa de tem casca ou piruá,
Minha pipoca comerei a suspirar.

E isso que digo não é fantasia;
Comer pipoca é pura alegria.

Mas todo este sabor de nada valeria
se não tivesse da minha ohana* a companhia.



*Ohana quer dizer família. A minha e a do Stich. : ) Love you all, my Ohana!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A mulher de vermelho

Era uma quarta-feira lá pelas, digamos, duas horas da tarde. O ônibus estava praticamente vazio: havia o motorista, a cobradora, e uns três passageiros. E havia ela, a mulher de vermelho.
(...)
Durante praticamente todo o tempo em que esteve no ônibus olhava pela janela, enquanto as lágrimas dela escorriam sem o menor esforço, frutos daquela nascente tão triste, daqueles olhos com expressão desistente, oriunda de sabe-se lá que decepção. As mãos dela eventualmente participavam da cena, ora criando um semblante de dúvida, enquanto tapavam-lhe os lábios e apoiavam o queixo com expressão pensativa, ora limpando as contínuas lágrimas, como que para dar espaço às que viriam. O mais incomum era que não havia nela a menor tentativa de ocultar seu choro, de guardá-lo para chorar sozinha. Mas afinal, ninguém se esconde para sorrir quando está feliz, para que engolir a tristeza, ao invés de extravasá-la para se curar de uma vez?
É estranho ver alguém chorar assim, com total liberdade. Em um tempo e um lugar onde todos de preocupam com as aparências acima dos sentimentos, com o que os “outros” irão pensar ao invés de serem livres para sentir, pensar e agir, a mulher de vermelho chorou no ônibus.

Pedacinho do texto, escrevi, depois achei muito grande. Texto completo aqui, ó: A Mulher de Vermelho (full)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Acertando o pé.


Equilíbrio é calma.



Começa nos pés



E
termina na alma.



Haikai, mania de Gina...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A distância entre nós

Falo de mim. E de mim novamente. É uma quase esquizofrenia, nada prejudicial, exceto pelo “quase”: Tenho ojeriza a “quases”. Namoros que quase dão certo, cursos que quase termino, oportunidades que quase aproveito e que por um tantinho assim, ó, não foram possíveis.

Em um momento onde queria apenas “desexistir” (o texto é meu, “neologiso” o quanto quiser), pensei em escrever e desisti – olha o quase aí novamente. Para fugir dele, é que este texto está saindo.

Deitada. Cansada. Rosto molhado de lágrimas que não deveriam estar ali, afinal são três horas da manhã, e há que se levantar cedo. A razão do choro é o peso das responsabilidades alheias, que parecem ter um ímã que as atrai para os ombros dela, aparentemente de ferro – mas só aparentemente.

Pensa em levantar e se resolver, pensa em como as coisas poderiam ser mais fáceis “se”. E perde-se em pensamentos fantasiosos, efêmeros; fica suspensa entre eles, inerme, alheia à sua situação. Este “se”, ah, é imenso. Representa a exata distância entre dois pontos: a que pensa e a que faz. Pena que não se sabe como atravessá-lo, é íngreme, obscuro, desconhecido. “É” coisas demais!

E, no final, acaba por não ser.

“Entre mim e mim, há vastidões bastantes / para a navegação dos meus desejos afligidos. / (..) / Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza, / só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.“

Cecília Meireles.


(*Texto velho pra caramba que estava na pastinha, me incomodando com sua "quase" publicação. Postei. :)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Bruna no País de Alice

Crianças são, em geral, atentas aos detalhes à sua volta. São criaturinhas mágicas, fáceis de encantar com coisas que parecem absurdamente simples aos nossos olhos desgastados. Lembro-me de como era divertido, em São Paulo, brincar com montes de cascalho colorido, como se fossem montes de pedras valiosas... Eu mal podia esperar o fim-de-semana para visitarmos a obra de uma nova igreja que estava sendo construída (meu tio era pastor por lá), pois nesta construção eu podia passar um dia inteiro brincando de qualquer coisa, sem cansar, simplesmente porque aquele lugar, que para os adultos era um lugar sujo e cheio de materiais de construção, para mim e para minha irmã (que tem menos de dois anos a menos que eu), aquilo poderia ser qualquer coisa: uma nova galáxia, um milhão de palácios, um país secreto e particular, enfim, o paraíso. E não era só naquele lugar que víamos tudo isto: era em qualquer lugar, com quase qualquer coisa. Eram tempos em que a felicidade se resumia a existir, cada dia novo era uma nova possibilidade de ser/ fazer tudo o que quiséssemos.
Sorrir como uma criança é um desafio... Não significa sorrir apenas, não se limita a movimentar alguns músculos da face de forma inespontânea, não! É sorrir de dentro pra fora, explicitar a alma ao invés dos dentes, libertar-se da corrida diária e maluca do ter e parecer, e apenas ser...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O vazio.

Não se vê o vazio, propriamente dito. O que se enxerga é o pote e, por não haver nada, nadinha lá é que percebemos que é um pote vazio. Pois bem, existem diversas formas de vazio, a despeito das dimensões do pote. O tamanho do vazio é geralmente o mesmo: imenso, gigante. Incomensurável.
Os potinhos geralmente não se dão conta dele, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, tentam preenchê-lo com uma ânsia desesperada. Coloca-se de tudo lá dentro: viagens, quadros, roupas, passeios, encontros, lugares, times, esportes, habilidades, máquinas, carros e toda a sorte de objetos, principalmente os vistosos. E, estranho, o pote nunca fica cheio (nota: há coisas que aumentam o tamanho do nada). Há também os casos em que o interior é deixado de lado (já que nunca fica cheio mesmo), e passa-se a tentar resolver o efeito – a aparência – em detrimento da causa – o vazio. Pinta-se o lado de fora do pote, para disfarçar a falta de conteúdo. Esta tática, no início pode até funcionar; porém, basta chacoalhar o pote para saber que ele (ele mesmo!) está lá. Quanto mais barulho fizer o pote ao ser chacoalhado, maior o tamanho do nada lá dentro. Uma lástima.
E o efeito disto é tão curioso quanto triste: nega-se que há o vazio, como um louco nega sua loucura: a partir do momento em que admitir a existência da causa, está praticamente curado – a não ser que realmente goste da conseqüência. E de fato, (com o perdão do péssimo trocadilho) há loucos pra tudo...
Fanatismos esportivos, físicos, estéticos (adoração pelo lado de fora do pote, que teme exageradamente engordar, envelhecer,...), ânsia por aprovação, pseudo-intelectualismo exacerbado, violência, ganância, ambição excessiva, são algumas formas de manifestação do vazio – a lista é enorme!
A depressão, inúmeras vezes, é uma reação do pote à consciência do vazio. E, quão ardentemente deseja o pote voltar a seu estado de semiconsciência, onde bastava negá-lo e ele desaparecia momentaneamente de seus pensamentos!
Mas ele nunca desaparece de fato, nem nunca é preenchido com qualquer tipo de objetos ou negações, porque o vazio é gigantesco, é enorme. E todos os potes foram confeccionados com este vazio, feito para ser estancado...
Um vazio enorme, gigantesco, do tamanho de Deus.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Só Ler

Há certas coisas que percebemos tardiamente, como por exemplo, a delícia do sono vespertino. Se eu tivesse dado por mim das delícias deste simplíssimo benefício enquanto ainda podia usufruir dele, teria dormido mais. Mas agora é tarde.
Por estes dias aconteceu um episódio incomum – ao menos para mim: dois palhaços me fizeram perder a parada do ônibus. E “palhaços” não é xingamento não: estavam vestidos a caráter, fazendo gracinhas e vendendo cartões. Eles entregavam dois cartões do tipo postais, com versos melosos na frente e um poema atrás – poemas são delicados demais para que palhaços escolham o que vais dizer pra pessoa que amas. Melhor se viessem em branco – que estes dois rapazes vendiam por um valor simbólico para contribuir no projeto que eles desenvolveram, que consiste em levar alegria a pacientes infantis em hospitais da cidade. Acontece que, estando com os cartões e o dinheiro na mão (foram entregues a todos os passageiros) não consegui entregá-los ao palhaço mais próximo, antes de chegar ao local onde deveria descer do ônibus. Resultado: perdi a parada.
Frustrada, desci do ônibus várias paradas depois e foi então que decidi recompensar-me por esta interrupção do meu dia cuidadosamente arquitetado: fui visitar uma livraria onde há tempos estava me prometendo que iria. Não é uma “livraria” de fato: é uma espécie de sebo, que além de livros novos e usados, comercializa todo o tipo de bugigangas impressas: revistas de artesanato, gibis, etc. Passei cuidadosamente pelas prateleiras, sorvendo aquela indescritível sensação de proteção de estar cercada de livros, até o alto. As prateleiras juntinhas, abrigo, diversão, familiaridade, e eu ali, no meio disto tudo.
Notei que os livros estavam em ordem alfabética pelo nome do autor – um bálsamo para minhas manias de ordenação de coisas (ou transtornos obcessivo-compulsivos, como preferirem). Comecei a ler os títulos um a um, a deslizar pelas prateleiras, enfadada com o início do alfabeto por sua quantidade de romances insípidos e autores desconhecidos para mim. Aldous Huxley e Ágata Cristie salvaram a letra “A”, mas ninguém por “B”, nem “C”...
E corria as prateleiras, languidamente, até chegar ao “E’. Encontrei pérolas em meio à lama, mas novamente um mar de fastio, até chegar ao “J”, “L”, “M”... Que lacuna mais eloqüente preenchia as prateleiras, nestas alturas! Como foi que nunca percebi que os melhores autores concentram-se nesta região do alfabeto, enquanto os primeiros dedicam-se (em sua maioria) a romances tolos e vazios, feitos para quem a eles se assemelha?

Como não percebi em que consistia ser “Bruna”, antes? Começar com “B” deveria ter-me obrigado à resignação da leitura, nada de malabarismos com a escrita. Mas agora é tarde.


segunda-feira, 24 de março de 2008

Entre um rio e o ar

Difícil falar com ela quando está assim. Fica cheia de dedos, desconfiada. Fica falante e desconexa, sempre que está tentando fazer sentido – e só tenta fazer sentido nestas horas – e possessiva.
Fica acuada, fica mordida, fica tão, tão... feminina. Fútil, agressiva, chorosa, falante, voraz, desistente. Não definitivamente não é o normal.
Querem saber? É puro ciúmes. Não de algo ou alguém, especificamente. Fica assim tão somente pelas sensações análogas ao ciúmes (de perda ou prejuízo, similares às de um namoro arruinado) provenientes da privação de sua liberdade. Uma águia deveria sentir-se assim, caso cortassem suas asas, pensa. Ciumenta dos ventos que passam por ela e não a podem levar, dos outros pássaros que voam, livremente sobre sua cabeça, a afrontá-la. Ciumenta, agredida. E, quanto mais se bater para voar, mais balbúrdia vai fazer, perderá a compostura e menos águia será, conquanto sua imponência tenha sido o que lhe restou de águia.
Sensações e expressões nada coerentes, nada construtivas, nada de nada.

E, de tanto nadar (vai ver é isto) virou um peixe.

sábado, 1 de março de 2008

Limpando o quarto

Limpando o quarto, encontramos de tudo: trabalhos antigos, provas guardadas, fotos perdidas, cartas escritas e nunca entregues, cartas recebidas e esquecidas... Mas o que mais mexe comigo é encontrar alguma coisa que eu tenha escrito - quando ainda gostava de escrever poemas - e sentir a mesma sensação de quando escrevi. Estes sentimentos intrusos são dolorosos e deliciosos, paradoxos como a saudades: doí mas é tão bom! Se não fosse, por que raios continuaríamos a guardar fotos e cartas antigas e, pior: a revê-las de tempos em tempos?
Pois eis que aí está o resultado da minha última faxina em meus papéis: coisas que escrevi e nunca assumi (ao menos não publicamente). Nenhum poema que eu possa vir a publicar foi escrito depois dos 17 anos completos, portanto, de antemão os advirto que não há relação alguma comigo. Penso que concordem que, passados alguns meses, rejeitamos o que escrevemos ou, no mínimo, fingimos que não está aí. Escrevemos cada dia mais na esperança de que ninguém tenha paciência para descer o mouse em direção ao fim do blog e - ora - não é que funciona? O problema é que quanto mais escrevemos, mais temos que suprimir com outros textos, e cosi via, não pára mais.
O que pretendo com isto? Mascarar minha total falta de vontade de escrever com as coisas que já escrevi. Simples assim.
Para escrever poemas é necessário uma pitada de tristeza, outro tanto de dor. Talvez um amor arrebatador - que só pode sê-lo enquanto platônico ou recente - possa substituir a dor e a tristeza, propriamente ditas. Mas, no estado em que estou, nem dor, nem tristeza e nem amores arrebatadores estão à vista, apenas, como diria Cazuza, "a sorte de um amor tranqüilo". Isto é maravilhoso para os meus nervos, mas confesso uma saudade impertinente da poesia...

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De poeta e de louco....

O poeta é um louco
De uma loucura passageira
Que, embora ele queira
Às vezes não passa...

Não importa o que faça,
Jamais vira gente,
Por mais que ele tente,
Poeta é outro ser...

...só sabe escrever.