"Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos..."(Freud)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O Outono e Eu.


Fotos: Bruna Scopel Moreira

Canção de outono

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida...

Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
de carícia a contrapelo...

Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma...
mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte alguma!


Mario Quintana
(1906-1994)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Entre ver e olhar

A Fotografia é uma coisa mágica. Eu sentia uma vontade doida de pintar meus pensamentos com todas as cores do mundo, mas faltava-me o talento para as artes plásticas. Eu recorria à escrita, que me permitia retratar descritivamente as cores da minha alma. 
Ainda assim, faltava a arte de dizer aos olhos, faltava a cor, a luz e a imagem, onde a palavra é implícita. 
A fotografia, de certa forma, supriu esta necessidade de comunicar, que a escrita, por si só já não era capaz de sanar. Faltava-me o verso sem som, faltava a poesia escondida, interpretada de forma diferente a cada olhar. Faltava a sensação de capturar e preservar jardins eternamente. 
Dentre tantas coisas que podem ser ditas a seu respeito, gosto do fato de a fotografia lançar um olhar atento ao que geralmente, a gente olha, mas não vê. Estas árvores da foto, por exemplo, estão situadas no coração do campus da Universidade de Caxias do Sul, mas garanto que nenhum aluno seria capaz de identificá-las. É um local de fluxo intenso, onde as pessoas passam, apressadas, e possivelmente nunca olham para cima. Eu mesma, não me lembro de tê-las percebido antes do dia em que tirei esta foto.
Há uma frase de Mário Quintana, que diz que "O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente."
Aprender fotografia, mesmo que minimamente, resgatou muito mais jardins do que as palavras que uso neste momento poderiam explicitar. 
Libertou-me a alma para expressar em cores, ensinou-me a fazer poesia com a luz e, o principal: treinou-me o olhar para que nunca mais os jardins da vida me sejam indiferentes. 

sábado, 5 de setembro de 2009

Ciclos de Outono





Afinal...
quem está pronto pra cair?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Importa "como" falar

A internet nos permite dois prazeres paradoxos: o de estar só e acompanhado ao mesmo tempo. Ferramentas como o twitter, por exemplo, facilitaram a expressão de sentimentos, sensações e pensamentos, dando a impressão de que haverá alguém pra nos ouvir, a qualquer hora.
Com isto, as pessoas têm extravasado exatamente aquilo que estão pensando, sentindo e fazendo, mas sem ponderar sobre o assunto, ou sobre a forma de explicitá-lo. Nos deparamos então com manifestações como "bom-dia", "indo pro banho", "cansada, vou dormir", "nada na geladeira", "boa-noite".
Não pretendo entrar na questão da relevância da informação, porque as pessoas não tem a obrigação de nos divertir ou informar a cada mínimo tweet - aí entra a máxima: "Não gostou? Clica em unfolow".
Mas sustento a opinião de que um mínimo de pensamento sobre o assunto, antes de postá-lo é vital. Isto inclusive satisfaz de forma mais eficaz o desejo enorme de comunicar que grande parte dos usuários de blogs tem. Nos proporciona satisfação com o nível da nossa comunicação.
Moral da história: Não importa saber quem entrou no banho ou foi comprar pão. Quando um ato corriqueiro do dia-a-dia gera um sentimento ou pensamento que, por sua vez, dá origem a uma manifestação verbal, aí sim importa. Mesmo que não seja necessariamente divertido, sutil ou profundo, tenho a certeza de que será mais significativo.

Os followers (e a blogosfera em geral) agradecem.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Pocoyo!

Um dos meus pequenos prazeres é assistir a um desenho chamado Pocoyo. Não sei bem que resistente resquício de infância transformou esta animação, feita pra um público de três ou quatro anos, em uma diversão de gente grande. O fato é que é tão gostoso quanto assistir um seriado bom.

Ele é simples, com personagens coloridos em um fundo branco. Infantil, mas não "idiota" (como eram os telettubies, que eu considerava um programa deseducativo). O Pocoyo é um menininho (fofo!), que aprende coisas a cada episódio, e que fala todas as palavras direitinho. Voluntarioso, pra entender algumas coisas, precisa da ajuda do narrador e dos "amiguinhos", os quais só conhecemos as vozes. Tem outros personagens - a cachorrinha Loula, a Elefante Elly, o pássaro Sonequita, e o Pato. Adoro até a trilha sonora, que é uma gracinha.
Quando nos damos conta, estamos respondendo às perguntas do narrador e conversando com os personagens - quando não imitando o Pocoyo.

Todas as pessoas até hoje, que conheceram Pocoyo (e que eu tenha presenciado), não só gostaram, como viciaram. Uma pena que, em português do Brasil, só hajam três episódios no Youtube. Um deles aqui.
Enjoy it!

[Update] E é possível assistir Pocoyo todas as madrugadas, no Omedicast. Bem lembrado, André Maltempi.

O essencial é invisível aos olhos

O valor das coisas está no valor que podemos atribuir a elas. Uma casa pode não ser só uma casa, ela pode ser a lembrança de um dia de sol, de um arco-íris, de brincadeiras, de banhos de chuva. Uma foto pode ser mais do que uma imagem: tudo depende de que tipo de pensamentos ela pode evocar, que cena ela retrata, e qual a importância deste momento pra alguém.
Essa manga retratada na foto tem muita história. A história da foto, no qual foi baseada sua releitura; a história da viagem que fiz para conseguir a foto (e de tudo o que aconteceu neste percurso), a história da decisão em fazê-la, a história dela mesma, dos momentos que passei com ela. As sensações que ela evoca, as imagens, pensamentos e pessoas, tudo isto tem um valor muito grande em significado que eu espero, um dia, poder transmitir com a amplitude de alma que ela merece.

(título: frase de Antoine de Saint-Èxupery)

Gigante

Engraçado, as crises da nossa vida vão nos dando forma e nos definindo. Mas a cada uma delas, a sensação é de que nos perdemos e perdemos nossa essência. Cada momento difícil traz uma série de aprendizados e mudanças - nem sempre conscientes e raramente solicitados.
Mas a gente cresce, a gente evolui. E, depois que passa, fica pronto para a vida, pronto para novas batalhas. Pronto para usar tudo aquilo que aprendemos, na conquista de novos espaços.

***

O problema é que, de tanto crescer, ela virou um gigante. Um gigante grande e desajustado, que procurou espaço toda a vida, esperando o momento certo de buscar e assumir o espaço final, tão querido e sonhado, para o qual tratou de aprender e crescer tanto quanto pode.

Acho que não vai caber em lugar algum, de tanto que cresceu com a perda deste espaço.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pensando

Que às vezes dá medo de sonhar tão alto, de fingir que o mundo é sincero. De acreditar nos valores dos seres humanos (nos valores pregados pelos seres humanos, não nos praticados).
Será que depositar sonhos de toda uma vida em mãos alheias é realmente uma boa idéia? Será que eu não deveria guardá-los pra mim, e mantê-los como uma eterna possibilidade, um eterno sonho?
Eu escolho duvidar do que ouço, e acreditar no que sinto.
Só espero que, tão alto quanto meu sonho, não seja a queda.
Que, tão certa quanto minha capacidade, formatada por toda uma vida, seja a chance sem méritos de outra pessoa.
Texto cinza, para tentar fazer um contraponto ao meu humor para permanecer próxima do chão.
Mas é tão difícil! O mundo tão está lindo, colorido, e pleno, que dá vontade de não passar destes dias nunca mais. Dá vontade de nunca mais desacreditar das coisas boas.
E de agradecer a cada um que passa por mim, tamanha é a minha felicidade.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Aqui pra você, Auto-crítica!

A necessidade de expressão é algo muito presente em mim. É algo que sinto, mas que talvez nunca viva plenamente, porque a necessidade que tenho de me expressar é diretamente proporcional à impossibilidade de fazê-lo.

O motivo? A auto-crítica.

Por mais necessária que seja, por mais falta que faça em quem não a tem, tê-la em excesso é complicadíssimo. Impede que textos sejam postados, idéias sejam expressadas e situações deixem de ser vividas.
Por exemplo: pra que este texto saia, preciso fechar os olhos para a obviedade da situação que descrevo agora. Digo que a auto-crítica é necessária, mas que seu excesso é prejudicial. Com isto, culminaria em um ponto do texto onde eu diria que a chave está no equilíbrio, entre a falta e o excesso. "Excessivamente óbvio para ser postado", diria Dona Auto-crítica.

Eu gostaria muito que minha auto-crítica tivesse forma, olhos e uma expressão ridiculamente severa, pra que eu pudesse chegar bem pertinho, olhar nos seus olhos, encher os pulmões de ar e dizer um sonoro "E daí?"

Oras.

(E sem revisão, só pra ela ver quem manda aqui.)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Feliz todos os dias (e não só hoje!)

"Olá Garotas" (by Bruna Foca)!

Quantas coisas tem acontecido conosco nos últimos dias, não é mesmo?
Um monte de sensações novas, diferentes; lugares, pessoas, histórias e oportunidades de crescimento, coisas que temos vivido e conhecido neste tempo.
E quantas risadas, não? Quantas alegrias, quantas correrias, quantos truques (pra não quebrar unha, pra não doer pé, pra não sair maquiagem), quanta ajuda, quanto aprendizado, quanto suporte, quantos sonhos...

Estivemos juntas até aqui, às vezes nos vendo mais do que à nossa família, especialmente nos finais de semana. E este brotinho de amizade e esta união linda que está crescendo a olhos vistos entre nós tem sido fundamental pra que os dias tenham sido tão "coloridinhos" e tão cheios de vida!
Estamos nos conhecendo melhor a cada dia e, a cada encontro, me sinto mais e mais privilegiada por estar vivendo este momento e especialmente, pela oportunidade de conhecê-las.
Sabem que às vezes, tive vontade de perguntar no meio de uma conversa, "Onde tu estavas todos estes anos, que eu não te conheci antes?" :]

Quero que saibam que, como grupo, vocês são tudo o que pedi a Deus, durante os meses que antecederam o concurso.
Como pessoas, são muito mais do que eu poderia pensar em pedir!
Conquistar a amizade de vocês, dia após dia, tem sido um privilégio, uma dádiva, que espero poder retribuir de coração.
Tenho orgulho de fazer parte deste grupo que se apóia, que se conhece melhor a cada dia, e que é formado por gente que vale muito!

Desejo a todas nós muito sucesso! Que Deus permita que tenhamos a oportunidade de aprimorar os sentimentos que existem entre nós, para que permaneçamos ligadas de coração por muitos e muitos anos!
Que nós continuemos a nos encontrar sempre, e que possamos comer juntas todos os salsichões com pão a que temos direito! Hehehe...

Que quebremos muitos recordes ainda, que a nossa (sim é NOSSA, garotas, e niguém tira!) edição da Festa seja a melhor, mais linda, mais TUDO de bom que as outras (o que vai dar trabalho)!
Que o nosso grupo surpreenda ainda mais a todos pela união, pela amizade e pelo engajamento, e que fiquemos na história como o melhor grupo de embaixatrizes de todos os tempos!!

Amo vocês!

PS: Sim, tudo isso era pra dizer Feliz dia do Amigo. Mas tinha sentimentos aqui pra mais uns dez e-mails desse tamanho!"


(Optei por postar, porque considero que a homenagem é merecida.)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Afiando o Cálamo...

Paviani retratou tão deliciosamente a diferença entre Memória e Lembrança, que me convenceu a dar vida ao "Diário de Candidata". Palavras, sempre elas...

Mas o que quero retratar aqui é diferente do que se esperaria de um diário. Quero registrar o que realmente é necessário ser guardado - sob pena de evaporar-se dos baús da memória: as sensações, os sentimentos, os sabores; a doçura destas dias tão especiais, que tem imprimido um colorido tão novo, tão diferente à minha alma. Quero pintar estas cores da forma como aprendi a fazê-lo - com a escrita - para guardá-las para sempre no estado exato em me impeliram a expressá-las.

Tenho a certeza de que, a cada vez que eu os reler, viverei novamente as sensações destes dias, assim como ver uma fotografia antiga nos faz viver denovo momentos que já foram.
Afinal, não seriam as palavras - a exemplo da fotografia, que retrata imagens - um retrato da alma no exato instante em que são escritas?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Primeiras trocas

          Sábado, aula de italiano. Surgem inevitáveis perguntas sobre o concurso (perguntas que, aliás, muito me alegro em responder).
          Em lugar do despojo (ok, desleixo) habitual dos sábados pela manhã (ok, de todas as manhãs - e de algumas tardes também), vestes adequadas, maquiagem condizente e cabelos escovados. E o mais surpreendente: botas de salto alto. Onde estão os tênis? "Posso ver que já assumiste a postura do concurso: já estás vestida de acordo". Claro, digo eu. E penso: "Agora é hora de ser adulta".
          Guardei os tênis - antes, sempre soltos pelo quarto, à mão - em uma gaveta de calçados. Antes de deixá-los, olho para eles com a ternura de quem contempla parte de si. Eles diziam tanto sobre mim!
          Depois dessa nossa última conversa silenciosa, fecho a gaveta com um suspiro. Deixei naquela gaveta muitas coisas sobre mim, coisas que não condizem com o grande momento que se aproxima. Para trás, deixo tudo aquilo que contraria o que construí e busquei, para que um sonho, o de viver algo maior que eu, se realize. 


          Guardei na gaveta os tênis, meu desleixo, minhas incertezas e inseguranças. Em troca, ganhei a leveza no meu sorriso. 
Leveza... Adjetivo perfeito para quem tem um longo e brilhante caminho pela frente. 


Escrito em 08/06/2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Pessoas I - Túmulos

Pessoas. Elas me fascinam, porque são incógnitas: são como caixinhas fechadas. Extrair seu conteúdo real pode ser fácil, difícil ou impossível; às vezes, pode levar um tempão.
Pessoas desiludem. A gente encontra conhece e convive com elas, e quando vai olhar dentro, descobre que não tem nada lá, ou pior: o que a gente encontra nelas é feio e triste. Aí, mesmo que a parte de fora seja absolutamente linda, a gente começa a olhar diferente, começa a perceber no exterior traços da feiúra interna, e o que era bonito, derrepente fica feio, sem graça. Dá pena.
A maioria das pessoas é assim, chega a dar medo de sair por aí abrindo caixinhas... Tenho passado meus dias em meio a estas criaturas, que são como túmulos: por fora, paredes brancas de caiação, por dentro, cadáveres em decomposição.


"And I've been smiled for them for the past last months. But what I really wanted was to cry. Sad, sad."

quinta-feira, 12 de março de 2009

Nem tão óbvio assim.

Uma das características mais marcantes de um mau-dia é que ele parece não terminar nunca. Um mau-dia é feito de várias coisas (fatos e fatores), dispostos ao longo do dia de forma totalmente caótica.

Caos?

Atraso. Café frio. Sapatos desaparecidos, roupas amarrotadas. Mau-humor. Bolsas pesadas, ônibus perdidos, trabalho. Mais mau-humor.

Incoerências, relatórios que não funcionam, planilhas pouco intuitivas, desordem. Conversas improdutivas, gente que não te entende, gente que não entende de coisa nenhuma. Mentiras.

Cansaço, correrias, táxi-lotação errado, mais atrasos. Esperas intermináveis na porta da sala, matéria perdida, eu perdida.

Ônibus que não chega nunca, frio que sempre chega quando menos esperamos. Salto alto e dor no pé. Dor de cabeça.

Outro ônibus que não chega, fumaça de churrasquinho, fumantes que não pedem licença pra fumar em cima da gente e ainda soltam a fumaça assim ó, bem na nossa cara. Pensamentos inoportunos.

Pensamentos insistentes e inoportunos. Decisões incertas, Amores que crescem separados, indecisões e remorsos protelados. Culpa. Outro fumante.

Caminho de volta, bolsas, sacolas, pensamento lento, conversas interessantes.

Coisas pra fazer, dor de cabeça, carboidratos tardios. Preocupações antecipadas.

E, o pior de tudo, a certeza de que recomeça tudo amanhã.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Uma forma musical de explicitar...

         Nunca dei bola pra "desafios entre blogs", detesto correntes virtuais de qualquer tipo. Essa mania de "passe adiante", os famosos "memes", como são chamados na blogosfera raramente parecem que darão um "caldo", literariamente falando.
Mas tenho uma implicância especial com os "memes" para eleger os melhores blogs: neste caso não vale conteúdo, valem os contatos. Tenho muitos blogs maravilhosos nos feeds (caso do riozebratubo.wordpress e do paradoxium.blogspot) que não brincam de rede social com seus blogs e, portanto, jamais seriam indicados pra este tipo de competição. Uma injustiça.

Meus "blablás" pseudo-intelectualistas-mau-humorados à parte, encontrei um interessante no "Dália Rosada", e penso que este possa ser significativo em termos de expressividade. Vou fazê-lo até mesmo porque, ninguém me indicou e eu não irei indicar a ninguém, logo, não é mais corrente. :D

1-Colocar uma foto individual
2-Escolher um artista ou banda preferido
3-Responder as questões com os títulos das canções do artista escolhido.
4-Escolher 4 pessoas para passar o desafio. - Há!



1. Foto:



2. Avril Lavigne (Trilha sonora do meu Ensino Médio. Em termos de diversidade dos títulos, penso que vá facilitar minha vida).


3. Respostas:


És homem ou mulher?
One of those girls

Descreve-te:
Anything But Ordinary

O que as pessoas pensam de ti?
Complicated :)

Como descreves teu último relacionamento?
Tantas possibilidades... Deixem-me ver.
He wasn't - pelo título.
My Happy Ending - pela letra.

Descreve o estado atual de tua relação:
I can do better

Onde querias estar agora?
Knocking on a Heavens Door ;)

O que pensou a respeito do Amor?
Things I'll Never say

Como é a tua vida?
The best damn thing o/

O que pediria se pudesse ter um só desejo?
I always get what I want - Há!
Eternity (but I already have it ;)

Escreva uma frase sóbria:
(I'm not) Nobody's fool.




Expressão é a Intenção. E pontoponto. :)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A grande questão

A questão das questões...
E enquanto eu não resolvo, vácuo aqui.
: )

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Decisão, poesia incerta...

Houve uma época em que o motivo e a saída de tudo era a poesia. Escrever um poema resolvia o dia, e nada era entendido, a menos que eu escrevesse sobre.
Quando estava triste, mas sem conseguir escrever uma rimazinha sequer, bastava uma brisa pra que as palavras pululassem na minha mente, como que despertas de um sono secular. Uma lufada de ar fresco (especialmente do ar da noite), vinha sempre carregada de desejos e sensações propícios à escrita de um poema.

Perdi o hábito de escrever poemas, mas eles não deixaram de ser a forma mais adequada de expressão para o que, de outra forma, não ousaria externar. Há que se buscar uma certa sutileza para manter a vida passível de ser vivida.

Há um poema que escrevi aos 15 anos que, nem mesmo na época em que foi escrito, foi tão adequado quanto agora.


Decisão

Coração fechado, mente aberta
Analisando uma fria proposta.
O vento traz a palavra certa
E ameniza a dor da ferida exposta.

Decisões a serem tomadas
Sozinha, trazem tormento
Já não penso, nem sei de mais nada:
São outros os meus pensamentos.

Humanos são dor e alegria,
Amam e sabem pensar.
Poeta, é só poesia,
Só canta e se deixa levar...

Decisão, poesia incerta...
Perdoem-me a falta de jeito:
Meio humana, meio poeta,
Não canto e nem penso direito...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

I hate being so far....

(8) But they where my mind lies....

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A Pipoca e seus efeitos alucinógenos.

Cenário: Eu, pai, mãe, sentadinhos na varanda de casa, em uma agradabilíssima e primaveril tarde de domingo. Pai na Rede, Mãe e eu em espreguiçadeiras de praia, e a súbita e brilhante idéia de coroar a tarde com uma tigela de pipocas e chimarrão.
A felicidade é tanta que o clima da conversa fica totalmente "nonsense". Em meio a muitos risos e a comentários pseudo-filosóficos, meu Pai deixa escapar uma frase poética em homenagem à pipoca. Imediatamente, aderimos à brincadeira, cada um lançando uma frase para dar continuidade ao "poema". A felicidade às vezes é mais poderosa que qualquer estimulante... E estávamos felizes, simplesmente por estarmos juntos.
O resultado ficou bizarrinho, e está aí embaixo. : )



Ode à Pipoca

Tão Branca, tão fofa, tão bela,
A me olhar, com suas casquinhas amarelas.

Desde os tempos em que o homem vivia em ocas,
Passava as manhãs e as tardes comendo pipoca.

Tão crocante e tão salgadinha,
Foi feita na minha panelinha.

E não importa de tem casca ou piruá,
Minha pipoca comerei a suspirar.

E isso que digo não é fantasia;
Comer pipoca é pura alegria.

Mas todo este sabor de nada valeria
se não tivesse da minha ohana* a companhia.



*Ohana quer dizer família. A minha e a do Stich. : ) Love you all, my Ohana!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A mulher de vermelho

Era uma quarta-feira lá pelas, digamos, duas horas da tarde. O ônibus estava praticamente vazio: havia o motorista, a cobradora, e uns três passageiros. E havia ela, a mulher de vermelho.
(...)
Durante praticamente todo o tempo em que esteve no ônibus olhava pela janela, enquanto as lágrimas dela escorriam sem o menor esforço, frutos daquela nascente tão triste, daqueles olhos com expressão desistente, oriunda de sabe-se lá que decepção. As mãos dela eventualmente participavam da cena, ora criando um semblante de dúvida, enquanto tapavam-lhe os lábios e apoiavam o queixo com expressão pensativa, ora limpando as contínuas lágrimas, como que para dar espaço às que viriam. O mais incomum era que não havia nela a menor tentativa de ocultar seu choro, de guardá-lo para chorar sozinha. Mas afinal, ninguém se esconde para sorrir quando está feliz, para que engolir a tristeza, ao invés de extravasá-la para se curar de uma vez?
É estranho ver alguém chorar assim, com total liberdade. Em um tempo e um lugar onde todos de preocupam com as aparências acima dos sentimentos, com o que os “outros” irão pensar ao invés de serem livres para sentir, pensar e agir, a mulher de vermelho chorou no ônibus.

Pedacinho do texto, escrevi, depois achei muito grande. Texto completo aqui, ó: A Mulher de Vermelho (full)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Acertando o pé.


Equilíbrio é calma.



Começa nos pés



E
termina na alma.



Haikai, mania de Gina...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A distância entre nós

Falo de mim. E de mim novamente. É uma quase esquizofrenia, nada prejudicial, exceto pelo “quase”: Tenho ojeriza a “quases”. Namoros que quase dão certo, cursos que quase termino, oportunidades que quase aproveito e que por um tantinho assim, ó, não foram possíveis.

Em um momento onde queria apenas “desexistir” (o texto é meu, “neologiso” o quanto quiser), pensei em escrever e desisti – olha o quase aí novamente. Para fugir dele, é que este texto está saindo.

Deitada. Cansada. Rosto molhado de lágrimas que não deveriam estar ali, afinal são três horas da manhã, e há que se levantar cedo. A razão do choro é o peso das responsabilidades alheias, que parecem ter um ímã que as atrai para os ombros dela, aparentemente de ferro – mas só aparentemente.

Pensa em levantar e se resolver, pensa em como as coisas poderiam ser mais fáceis “se”. E perde-se em pensamentos fantasiosos, efêmeros; fica suspensa entre eles, inerme, alheia à sua situação. Este “se”, ah, é imenso. Representa a exata distância entre dois pontos: a que pensa e a que faz. Pena que não se sabe como atravessá-lo, é íngreme, obscuro, desconhecido. “É” coisas demais!

E, no final, acaba por não ser.

“Entre mim e mim, há vastidões bastantes / para a navegação dos meus desejos afligidos. / (..) / Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza, / só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.“

Cecília Meireles.


(*Texto velho pra caramba que estava na pastinha, me incomodando com sua "quase" publicação. Postei. :)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Bruna no País de Alice

Crianças são, em geral, atentas aos detalhes à sua volta. São criaturinhas mágicas, fáceis de encantar com coisas que parecem absurdamente simples aos nossos olhos desgastados. Lembro-me de como era divertido, em São Paulo, brincar com montes de cascalho colorido, como se fossem montes de pedras valiosas... Eu mal podia esperar o fim-de-semana para visitarmos a obra de uma nova igreja que estava sendo construída (meu tio era pastor por lá), pois nesta construção eu podia passar um dia inteiro brincando de qualquer coisa, sem cansar, simplesmente porque aquele lugar, que para os adultos era um lugar sujo e cheio de materiais de construção, para mim e para minha irmã (que tem menos de dois anos a menos que eu), aquilo poderia ser qualquer coisa: uma nova galáxia, um milhão de palácios, um país secreto e particular, enfim, o paraíso. E não era só naquele lugar que víamos tudo isto: era em qualquer lugar, com quase qualquer coisa. Eram tempos em que a felicidade se resumia a existir, cada dia novo era uma nova possibilidade de ser/ fazer tudo o que quiséssemos.
Sorrir como uma criança é um desafio... Não significa sorrir apenas, não se limita a movimentar alguns músculos da face de forma inespontânea, não! É sorrir de dentro pra fora, explicitar a alma ao invés dos dentes, libertar-se da corrida diária e maluca do ter e parecer, e apenas ser...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O vazio.

Não se vê o vazio, propriamente dito. O que se enxerga é o pote e, por não haver nada, nadinha lá é que percebemos que é um pote vazio. Pois bem, existem diversas formas de vazio, a despeito das dimensões do pote. O tamanho do vazio é geralmente o mesmo: imenso, gigante. Incomensurável.
Os potinhos geralmente não se dão conta dele, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, tentam preenchê-lo com uma ânsia desesperada. Coloca-se de tudo lá dentro: viagens, quadros, roupas, passeios, encontros, lugares, times, esportes, habilidades, máquinas, carros e toda a sorte de objetos, principalmente os vistosos. E, estranho, o pote nunca fica cheio (nota: há coisas que aumentam o tamanho do nada). Há também os casos em que o interior é deixado de lado (já que nunca fica cheio mesmo), e passa-se a tentar resolver o efeito – a aparência – em detrimento da causa – o vazio. Pinta-se o lado de fora do pote, para disfarçar a falta de conteúdo. Esta tática, no início pode até funcionar; porém, basta chacoalhar o pote para saber que ele (ele mesmo!) está lá. Quanto mais barulho fizer o pote ao ser chacoalhado, maior o tamanho do nada lá dentro. Uma lástima.
E o efeito disto é tão curioso quanto triste: nega-se que há o vazio, como um louco nega sua loucura: a partir do momento em que admitir a existência da causa, está praticamente curado – a não ser que realmente goste da conseqüência. E de fato, (com o perdão do péssimo trocadilho) há loucos pra tudo...
Fanatismos esportivos, físicos, estéticos (adoração pelo lado de fora do pote, que teme exageradamente engordar, envelhecer,...), ânsia por aprovação, pseudo-intelectualismo exacerbado, violência, ganância, ambição excessiva, são algumas formas de manifestação do vazio – a lista é enorme!
A depressão, inúmeras vezes, é uma reação do pote à consciência do vazio. E, quão ardentemente deseja o pote voltar a seu estado de semiconsciência, onde bastava negá-lo e ele desaparecia momentaneamente de seus pensamentos!
Mas ele nunca desaparece de fato, nem nunca é preenchido com qualquer tipo de objetos ou negações, porque o vazio é gigantesco, é enorme. E todos os potes foram confeccionados com este vazio, feito para ser estancado...
Um vazio enorme, gigantesco, do tamanho de Deus.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Só Ler

Há certas coisas que percebemos tardiamente, como por exemplo, a delícia do sono vespertino. Se eu tivesse dado por mim das delícias deste simplíssimo benefício enquanto ainda podia usufruir dele, teria dormido mais. Mas agora é tarde.
Por estes dias aconteceu um episódio incomum – ao menos para mim: dois palhaços me fizeram perder a parada do ônibus. E “palhaços” não é xingamento não: estavam vestidos a caráter, fazendo gracinhas e vendendo cartões. Eles entregavam dois cartões do tipo postais, com versos melosos na frente e um poema atrás – poemas são delicados demais para que palhaços escolham o que vais dizer pra pessoa que amas. Melhor se viessem em branco – que estes dois rapazes vendiam por um valor simbólico para contribuir no projeto que eles desenvolveram, que consiste em levar alegria a pacientes infantis em hospitais da cidade. Acontece que, estando com os cartões e o dinheiro na mão (foram entregues a todos os passageiros) não consegui entregá-los ao palhaço mais próximo, antes de chegar ao local onde deveria descer do ônibus. Resultado: perdi a parada.
Frustrada, desci do ônibus várias paradas depois e foi então que decidi recompensar-me por esta interrupção do meu dia cuidadosamente arquitetado: fui visitar uma livraria onde há tempos estava me prometendo que iria. Não é uma “livraria” de fato: é uma espécie de sebo, que além de livros novos e usados, comercializa todo o tipo de bugigangas impressas: revistas de artesanato, gibis, etc. Passei cuidadosamente pelas prateleiras, sorvendo aquela indescritível sensação de proteção de estar cercada de livros, até o alto. As prateleiras juntinhas, abrigo, diversão, familiaridade, e eu ali, no meio disto tudo.
Notei que os livros estavam em ordem alfabética pelo nome do autor – um bálsamo para minhas manias de ordenação de coisas (ou transtornos obcessivo-compulsivos, como preferirem). Comecei a ler os títulos um a um, a deslizar pelas prateleiras, enfadada com o início do alfabeto por sua quantidade de romances insípidos e autores desconhecidos para mim. Aldous Huxley e Ágata Cristie salvaram a letra “A”, mas ninguém por “B”, nem “C”...
E corria as prateleiras, languidamente, até chegar ao “E’. Encontrei pérolas em meio à lama, mas novamente um mar de fastio, até chegar ao “J”, “L”, “M”... Que lacuna mais eloqüente preenchia as prateleiras, nestas alturas! Como foi que nunca percebi que os melhores autores concentram-se nesta região do alfabeto, enquanto os primeiros dedicam-se (em sua maioria) a romances tolos e vazios, feitos para quem a eles se assemelha?

Como não percebi em que consistia ser “Bruna”, antes? Começar com “B” deveria ter-me obrigado à resignação da leitura, nada de malabarismos com a escrita. Mas agora é tarde.


segunda-feira, 24 de março de 2008

Entre um rio e o ar

Difícil falar com ela quando está assim. Fica cheia de dedos, desconfiada. Fica falante e desconexa, sempre que está tentando fazer sentido – e só tenta fazer sentido nestas horas – e possessiva.
Fica acuada, fica mordida, fica tão, tão... feminina. Fútil, agressiva, chorosa, falante, voraz, desistente. Não definitivamente não é o normal.
Querem saber? É puro ciúmes. Não de algo ou alguém, especificamente. Fica assim tão somente pelas sensações análogas ao ciúmes (de perda ou prejuízo, similares às de um namoro arruinado) provenientes da privação de sua liberdade. Uma águia deveria sentir-se assim, caso cortassem suas asas, pensa. Ciumenta dos ventos que passam por ela e não a podem levar, dos outros pássaros que voam, livremente sobre sua cabeça, a afrontá-la. Ciumenta, agredida. E, quanto mais se bater para voar, mais balbúrdia vai fazer, perderá a compostura e menos águia será, conquanto sua imponência tenha sido o que lhe restou de águia.
Sensações e expressões nada coerentes, nada construtivas, nada de nada.

E, de tanto nadar (vai ver é isto) virou um peixe.

sábado, 1 de março de 2008

Limpando o quarto

Limpando o quarto, encontramos de tudo: trabalhos antigos, provas guardadas, fotos perdidas, cartas escritas e nunca entregues, cartas recebidas e esquecidas... Mas o que mais mexe comigo é encontrar alguma coisa que eu tenha escrito - quando ainda gostava de escrever poemas - e sentir a mesma sensação de quando escrevi. Estes sentimentos intrusos são dolorosos e deliciosos, paradoxos como a saudades: doí mas é tão bom! Se não fosse, por que raios continuaríamos a guardar fotos e cartas antigas e, pior: a revê-las de tempos em tempos?
Pois eis que aí está o resultado da minha última faxina em meus papéis: coisas que escrevi e nunca assumi (ao menos não publicamente). Nenhum poema que eu possa vir a publicar foi escrito depois dos 17 anos completos, portanto, de antemão os advirto que não há relação alguma comigo. Penso que concordem que, passados alguns meses, rejeitamos o que escrevemos ou, no mínimo, fingimos que não está aí. Escrevemos cada dia mais na esperança de que ninguém tenha paciência para descer o mouse em direção ao fim do blog e - ora - não é que funciona? O problema é que quanto mais escrevemos, mais temos que suprimir com outros textos, e cosi via, não pára mais.
O que pretendo com isto? Mascarar minha total falta de vontade de escrever com as coisas que já escrevi. Simples assim.
Para escrever poemas é necessário uma pitada de tristeza, outro tanto de dor. Talvez um amor arrebatador - que só pode sê-lo enquanto platônico ou recente - possa substituir a dor e a tristeza, propriamente ditas. Mas, no estado em que estou, nem dor, nem tristeza e nem amores arrebatadores estão à vista, apenas, como diria Cazuza, "a sorte de um amor tranqüilo". Isto é maravilhoso para os meus nervos, mas confesso uma saudade impertinente da poesia...

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De poeta e de louco....

O poeta é um louco
De uma loucura passageira
Que, embora ele queira
Às vezes não passa...

Não importa o que faça,
Jamais vira gente,
Por mais que ele tente,
Poeta é outro ser...

...só sabe escrever.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A Essência do Igual

Não, nada de devaneios existenciais. Apenas um “pensamento de ônibus” sobre meu assunto favorito: a escrita.

Espere aí, comecemos do início. Sempre que ando de ônibus sem ocupações extras (terminar a maquiagem, ler um livro, jogar tetris) fico pensando em escrever. Em aproximadamente um por cento das vezes eu efetivamente escrevo algo: no geral, fica por isso mesmo. Também no ônibus costumo ficar remoendo as coisas que leio nos blogs que freqüento, e me delicio analisando as características de cada um dos meus autores de blog favoritos. Foi então que percebi que nem sempre é só a forma como escrevemos que se repete: também os tipos de assuntos costumam repetir-se, às vezes de forma velada e, em outras, escancaradamente. Os assuntos, as palavras que usamos, e a forma como escrevemos são a essência da nossa escrita, da nossa personalidade expressada “pela ponta dos dedos” (grazie, Freud). Para encontrar um quê de igual em todos os textos, é preciso ler “alguém” por um longo tempo, ler textos de épocas diferentes pra saber qual a essência de todos os humores, de todas as palavras escritas. Quanto maior a quantidade de textos lidos da mesma pessoa, mais fácil fica de encontrar a “Essência do Igual” de cada um...

Querem ver? Listei alguns dos meus blogs favoritos e sua essência, aos meus olhos: o que mais é evidente pra mim, depois de tanta leitura de seus blogs, afinal, como vivo dizendo nos comentários que faço, sou uma “ratazana” de blogs, sempre à procura do que ler... E sempre encontro.

Gina, a Genial! (paradoxium.blogspot.com): Ela é leve, é a arte em palavrinhas, ela é fera em fotografia na vida real e esta é uma característica que se sobressai também na escrita: a arte de retratar o momento. Os textos delas são extremamente visuais pra mim, faço e desfaço cenários em uma frase dela, que nem precisa ser descritiva.

A Essência do Igual: Assuntos interiores. Cheia de poemas existenciais, é um verdadeiro strip-tease de alma: ela se mostra, pensa em si mesma e se revela da forma mais crua, mais real. Fala dela e de quebra, toca quem lê e penso que seja impossível não se identificar. Palavras bem escolhidas, propositalmente colocadas em destaque de forma harmoniosa; nota-se um certo cuidado com cada palavra e seu significado, como o cuidado de um artista ao pintar uma tela, como fotógrafa a escolher o melhor ângulo, a melhor condição de iluminação para o texto. Um luxo acessibilíssimo e agradabilíssimo (merece os dois superlativos): fácil de interpretar, leitura gostosa como chocolate... Um luxo!

Pedro, o Inexorável! (inexoravelmente.blogspot.com): Ele muda muito! Hehehe... A única coisa inexorável de fato é o endereço do blog! Antigamente ele escrevia em primeira pessoa, já falou sobre ele mesmo, fazendo de seu blog literalmente um blog (=web log =diário virtual), Já foi saudosista, realista, otimista... Escreveu sobre amor, decepção, trabalho, família, amizade; já escreveu com pseudônimos – foi interessantíssimo – já deu até uma receita bizarra no blog! Simplesmente maravilhoso! Já cansei de imprimir para ler no ônibus... Vale totalmente a pena!

A Essência do Igual: É bem parecida com a do Luís Fernando Veríssimo, ironia e sutileza, praticamente em estado puro. Situações cotidianas têm predominado como assunto, mas quem pode saber qual será o próximo post? Pergunto-me por que é que a minha escrita não evoluiu exponencialmente como a dele!

Vivi, a Flor: (spotlessway.blogspot.com) Chamo-a assim aqui simplesmente porque ela possui, também como escritora, as características da mais delicada flor: suavidade, pureza, delicadeza, complexidade, beleza, e, o mais fundamental de tudo: ela desabrocha dia após dia, texto após texto.

A Essência do Igual: A amostragem dos textos dela é limitada, mas é possível perceber o desabrochar dela, o frescor das suas idéias deliciosamente disparatadas também nos comentários que ela faz... Leia o blog dela e deixe um comentário: muito possivelmente serás agraciado com um comentário de flor também! (Obtive informações de que está saindo um texto novinho nesta semana!)

Puxa, ficou grande este texto. Preciso parar, senão, ninguém lê! E olha que são tantos os blogs que eu queria dividir com vocês!

Ah, o meu. Queria muito escrever diferente, escrever um texto sobre a vida ou sobre um assunto cotidiano qualquer; talvez um texto fictício, divertido, bem mais sutil e irônico, mas não tive coragem para deixar o fácil de lado. Escrever em primeira pessoa, me permitindo repetições abusivas e usando o mesmo assunto (quase) sempre, tem sido uma das minhas fugas...
Mas são justamente os meus confortáveis refúgios que impedem minha evolução!

Quero um desafio! Quero escrever sem falar com quem lê, ou falar com a distância quase arrogante de Veríssimo e de Pedro. Se falar, que fale direto ao interior do leitor, como a Gina... Se conseguir inventar, que me inspire e crie histórias semi-imaginárias como a Vivi já fez...

Minha essência do igual: a escrita. “Escrever sobre escrever” e em primeira pessoa - (público há de ter, horas... vocês são todos blogueiros!). É o que vejo de igual nos meus textos (e como me irrita perceber isto!). Já me disseram que todas as minhas poesias falam de vento (foi um comentário extremamente revelador, nem eu havia percebido), e eu gostaria de saber mais... O que mais têm de peculiar na minha escrita? Onde mais reside minha previsibilidade?

Queria respostas puras e sinceras: preciso de material para construir um novo jeito de me expressar... Alguém arrisca? :)

sábado, 22 de dezembro de 2007

Grupo Célula

É a segunda vez que escrevo um texto assim tão direcionado, tão "carta". Não era exatamente este o objetivo inicial (nem o do blog e nem o do texto - era pra ser carta-carta mesmo e não carta-texto :). Enfim, aos leitores que não tem nada a ver com o balangandan: era imperativo que eu postasse este e-mail aqui. Já homenageei pessoas que não me trouxeram um quinto dos benefícios que meu grupo me trouxe, então seria injusto privar-me deste post, porque senti uma vontade imensa de fazer isto! Logo....

Querido Grupo:

Meu convívio com vocês foi fundamental este ano, que foi um ano muito especial pra mim. Aprendi muito, conheci pessoas muitos especiais, solidifiquei relacionamentos importantes... Reconheci em vocês valores que valem a pena ser imitados, fraquezas que me deram forças por me fazer perceber que não sou a única a ter problemas, recebi, muitas vezes, um apoio extraordinário do qual nunca tive sequer amostra em outros lugares... Vi pessoas que realmente se preocupam umas com as outras, e que realmente estão juntas com um objetivo claro e propósito firme, coisa que já havia desistido de encontrar. Finalmente minha busca por um lugar assim cessou.
Vi problemas se resolverem de forma clara e sincera, vi algumas mágoas veladas serem dissipadas, enfim, fui privilegiada por ter tido a oportunidade deste convívio tão fantástico, tão maravilhoso.
Seria injusto se não parasse no final deste ano para agradecê-los por tudo o que fizeram, mesmo que muitas vezes vocês não tenham efetivamente "agido": houveram situações em que apenas o fato de alguns de vocês existirem já foi suficiente. Meninas, peço desculpas por haver me mantido tão distante em muitas situações, por muitas vezes ter deixado de agir quando deveria, por não ter facilitado aproximações e nem me mostrado como realmente sou...
2008 está aí, e com ele, 365 chances de dias diferentes, de amar mais, doar-se mais, de buscar a Deus com mais intensidade, de lembrar o porquê de tudo: Cristo. De colocar o Senhor em cada um dos nossos projetos, em cada um dos nossos dias, em cada pequena dúvida, em cada grande decisão. Vou buscar aproveitar as minhas 365 (melhor, são 366: é ano bissexto!! ;) chances para fazê-los mais felizes, para tentar estar mais presente na vida de vocês e para abrir meu coração pra que vocês também possam estar presentes na minha.

Desejo tudo, tudo, tudo de bom que Deus tem preparado pra nós. Que vocês sejam muito felizes e estejam sempre (e cada vez mais) na paz do Senhor.

Obrigada por tudo! Vocês fizeram uma diferença imensa na minha vida!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Ninho das Águias

Tão perto, que ainda posso ver Caxias. Tão longe, que ninguém me vê, sequer me imagina. É tão fácil e tão difícil chegar aqui, basta seguir a estrada: difícil é pôr-me nela. Paradoxal como a escrita: é fácil, difícil, eu sei, mas não sei.
É tão alto que ouço uma criança dizer “Mãe, aqui é o topo do mundo!”. Surpreendida pela frase, penso na sensação que a levaria a falar tal coisa, tão espontânea, tão óbvia, e fecho os olhos pra entender melhor... e me sinto no topo do mundo! Imaginação é um exercício tão fácil, tão divertido, que não entendo porque paramos de usufruir dela à medida que crescemos. Abro os olhos para contemplar uma infinidade de montes, permeados pela magnífica luz do sol, fazendo riscos de luz e sombra na paisagem esverdeada, e me vejo olhando a serra toda de cima, vendo cidades distantes a palmos uma da outra, e elas próprias, com pouco mais de um palmo...
Olho pra cima, e vejo o céu, e só. Fecho os olhos, e sinto o vento, e imagino que a vida deveria ser feita puramente de momentos como aquele. Ah, se a felicidade pudesse ser guardada para ser repetida mais e mais...

Eu estava no “topo do mundo” e meus sentimentos também. Desci em partes; a distração, a parte de mim que escreve, propriamente dita, ficou por lá...

(10/08/2007)

sábado, 21 de julho de 2007

Pétalas

Não me reconheço, em mim. Leio os meus antigos escritos, e me sinto como deveria sentir-se uma rosa desfolhada ao contemplar suas pétalas murchas, ao chão. Estranho aquelas pétalas murchas, que antes me eram tão caras e que agora, já não são mais eu. Passei a reler meus textos e me senti, de certa forma, uma intrusa em meio àqueles pensamentos que já não me representavam mais. Pensei em excluí-los, mas que droga, não há razão para fazê-lo.
Mudei tanto que modifiquei até o que não desejava mudar. Fiz gato e sapato de sensações e sentimentos passageiros e me coloquei por completo naqueles retratos de instantes, de sensações que às vezes não perduravam para além da noite de sono que seguia a escrita... Minha personalidade era rocha firme. Muitas vezes, me magoava ser tão dura assim, mas na maior parte do tempo, ah, como eu gostava...
Gostava, como gosto agora de perceber a sutil evolução dos pensamentos, nas palavras... Percebo que a pétala caída também sou eu, que a folha que se foi já não é, mas um dia foi parte de mim. Vergonha deles? Não. Essas poucas palavras que conseguia expelir para me libertar/desabafar foram o início da jornada mais libertadora da minha vida física: a escrita. Pela escrita, falo com pessoas distantes, com quem jamais falaria, em toda a vida. Falo com pessoas que vejo com freqüência, mas jamais diria o que digo aqui. Mostro-me com a mesma facilidade com que me escondo na vida real, atrás de máscaras de suposto mau-humor ou de fingida timidez. São só máscaras, que caem quando escrevo e que só quem conhece o que há por trás delas, sabe o quanto são falsas... Tão falsas, que já me disseram (inclusive em depoimento no orkut) que é impossível acreditar que alguém acredite em uma Bruna assim.
Escrever é libertar-se. De regras, de gramática e até de si mesmo. Posso repetir palavras, posso sentir o que finjo não sentir, posso ser eu mesma, aquela que em verdade, nem sou. Posso falar o que quiser, não importa se alguém vai ler: eu mesma vou.
Escrever é, também, conhecer a si mesmo. Eu não sabia que era feliz até escrever sobre felicidade, eu não sabia o quanto era cristã até escrever sobre Cristo, não sabia que era poeta até fazer poesia, e nem sabia o quanto amava até escrever sobre amor. Posso dizer então, que simplesmente não sabia quem eu era, enquanto não escrevi.
Existe uma alegoria de Platão que resumidamente diz que nossa auto-imagem é como se estivéssemos voltados para o fundo de uma caverna, observando apenas nossa própria sombra, acreditando tratar-se da realidade. Pois bem: a escrita não é a libertação propriamente dita, mas é um espelho colocado no fundo desta caverna. Faz com que possamos nos ver mais nitidamente, revela pensamentos e sensações que desconhecíamos, até que os escrevemos.
Ops, mais um texto. Mais um pouquinho de mim, para mim. E para quem quiser.

"Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim."

Cecília Meireles, A Grande.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Minhas Mãos (homenagem às mãos do Gabi)

Chamo-as assim não por serem efetivamente minhas, mas afetivamente, me pertencem. Elas destoam do todo, são paradoxalmente grandes e infantis, principalmente quando estão semi-encobertas por um determinado abrigo de moletom, que faz o dono delas parecer tão pequeno quanto é grande o abrigo. Essas mãos, que me obrigam a ser/parecer contraditória quando falo delas, tornam difícil a conclusão de qualquer raciocínio, por mera insuficiência de instrumentos lógicos...
São mãos grandes, de dedos grossos, que por isso parecem curtos, dando a impressão de impossibilidade de efetuar trabalhos minuciosos, são mãos com unhas infantis e palma larga, aparentemente feitas para trabalhos pesados, que, afinal, executam com destreza e rapidez.
Mas o que de melhor elas fazem é justamente o oposto do que parecem feitas para fazer: elas aquecem, acariciam e sustentam como nenhuma outra. Fazem os problemas parecerem pequenos, os fazem caber na palma da mão e desaparecerem em um piscar de olhos... são mágicas.
Fazem cócegas, fazem rir, fazem dormir, consertam o que parecia sem conserto, realizam sonhos e assustam quando largam o volante só por diversão... E no volante elas me levam pra longe, só pra arrancar sorrisos e suspiros de alívio quando estou em um lugar especial, onde nós dois repousamos nossas mentes e largamos os problemas lá atrás, deixando o sol bater e o vento soprar, vendo as folhas caírem, vendo o tempo passar... A precisão destas mãos ao guiar um carro me faz pensar em como guiarão minha vida...
Sim, porque, um dia, o dono daquelas mãos vai pedir a minha...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Distração

Ela sentada, sentindo aquela sensação que só sente quem precisa de palavras pra se sentir pleno, especialmente em noites de domingo ou feriado. Sentada na poltrona (a cadeira é incômoda), com o teclado entre seus joelhos e calada, com os fones de ouvido em um volume suficientemente alto para retirar sua atenção do que quer que seja, além do computador e de si mesma. Fica parada, esperando, até que a conexão consigo mesma seja suficiente para desafiar a inércia e pôr-se a escrever palavras vindas de algum lugar entre ela e ela mesma...
O que é que a atormenta para que sua alma lhe exija um texto? Novamente sua própria insuficiência, que, com o passar do tempo, se revela de formas cada vez mais diversas e abrangentes. põe-se a “falar” com quem poderá escutá-la, mesmo sem saber exatamente quem e quantas pessoas serão. Fala diretamente a eles, com a intimidade pertinente de quem confidencia um de seus momentos de maior intimidade e conexão interna, coisa que só assim lhe é possível que se faça.
Ela então, chega ao ponto crucial, que determinará se o texto seguirá até o seu fim (publicação) ou se será apenas mais um rabisco em seu arquivo de fichas de textos: o assunto. Se o assunto escolhido (às vezes nesta mesma hora, às vezes dias antes) não lhe der possibilidades de um final definitivo, ou então lhe der excessiva margem para assuntos extremamente interiores, que não deveriam ser tão cruamente explicitados, acabará por tornar-se um texto completo, com arquivo próprio, mas sem coragem ou intenção de ser publicado.
Começa a pensar e, pensando acaba por perceber que, infatti, não quer discorrer sobre assunto algum, não quer manifestar sua opinião, quer apenas companhia. Não há nenhum assunto específico que queira explicitar, nenhum sentimento em especial para quebrar com palavras. Quer apenas cumprir o ritual que tanto a agrada, e então passa a observar-se para descobrir o que de si deseja mostrar, como uma espécie de distração que a fará desconcentrar-se para novamente concentrar-se em si. Olha ao seu redor, mas mantêm os olhos fechados, e o que vê? O computador, seu ‘diário’ de momentos interiores, seu confidente ocasional... Vê que o principal para que o texto “aconteça” ali está: ela, sentada, sentindo aquela sensação que só sente quem precisa de palavras pra se sentir pleno, especialmente em noites de domingo ou feriado... Ora, o assunto é secundário, basta um pouco de distração.

quarta-feira, 21 de março de 2007

A Comodidade que vem do Tempo

Com o passar do tempo, nos tornamos ‘urnas’ repletas de significados. No início da vida (principalmente até o início da adolescência), tudo nos parece interessante, fascinante e, até mesmo, assustador. Inúmeras situações são capazes de provocar em nós ‘frios na barriga’. Mas com o passar do tempo, tendo já vivido diversas experiências, estas passam a repetir-se e já não nos assustam, nem nos exortam a buscar novas soluções. Muitas vezes, ao invés de nos agitar, de provocar-nos a vivê-las com a intensidade pertinente à agitação que anteriormente nos provocavam, nos trazem lembranças de momentos anteriores. Algumas vezes lembranças nos fazem ficar em silêncio por segundos (ou não), e não raras vezes disfarçamos para não dividi-las com que está por perto. Sem dúvida, o ar de mistério que acaba por se formar devido a tantos pensamentos, lembranças, fatos e significados, é o grande responsável pela alteração no semblante de uma pessoa, em sua maneira de expressar-se, de sentir, de sorrir, de viver.

Ao invés de pensar que estamos envelhecendo, penso que estamos, aos poucos, enchendo nossa ‘urna’, tornando-nos plenos de significados e conteúdo, de razões e entendimento. Ao invés de fugir do tempo e de sofrimentos (que é quase como ‘secar gelo’), por que não aproveitamos as experiências que nos são dadas e tratamos de preencher-nos com cuidado, sorvendo cada gota que se acrescenta às nossas experiências? Mas não com a indiferença com que se toma algum remédio por obrigação, apenas por que não há nada que se possa fazer para evitá-lo, mas sim, com a delicadeza e atenção com que se degusta um doce (ou vinho, não deixemos de analisar a proposta por erro de metáfora, por favor). A vida pode sim (e deve!) ser tratada como uma experiência fantástica e intrigante, e não como uma obrigação penosa. Tomar esta atitude depende única e exclusivamente de cada um. Difícil? Não se pudermos pensar que toda a caminhada começa com um único passo...

Depois deste texto, ai de quem me vier dizer que “a vida não é um docinho”...

 

Louco... um pouco.

O poeta é um louco
De uma loucura passageira
Que, embora ele queira
Às vezes não passa...

Não importa o que faça,
Jamais vira gente,
Por mais que ele tente,
Poeta é outro ser...

...só sabe escrever.

terça-feira, 13 de março de 2007

Heterônimos

Uma bela paisagem não se afeta com os pensamentos existentes por trás de olhares que se lançam a ela. Vento, sol e chuva, ou então ações de vontades contidas em pensamentos sim, estes podem alterá-la, contando que tenham poder para isto.

Amigos: belos e fugazes olhares, sem poder algum... apenas meros e intrigantes olhares, que afetam a paisagem dentro de suas parcas possibilidades... que apenas a enaltecem conquanto tentam modificá-la por simples desejo de não passar, de deixar de ser olhar, e ser paisagem... (Dorilys)

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De quantos beijos necessitamos para ser rosa?
E quantos elogios são necessários, para que não nos caiam as pétalas?

Com quantas mãos, sorrisos e olhares se faz uma imagem?
E quantas pedras, escarros e lágrimas são necessárias para desfazê-la?

De quantos heterônimos necessitamos para sermos livres?
E qual a dose de realidade é necessária, para que não nos escravizem?

De quantas estrelas necessitamos para que não nos falte brilho?
E quanto devemos brilhar, para sermos estrelas?

(Dorilys)

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Iluminar passos de quem a cerca,
Manter suavidade de flor,
Manter-se imagem diversa
Daquela que vive em dor.

Sorrir aos lábios que escarram
Afagar a mão que apedreja
Fingir que não vê e não sente
O veneno da boca que beija...

Revezando pessoas e faces
Morrer aos poucos, sorrindo
Não crendo que lhes apraza

Que a luz se lhe vá esvaindo
Até que as palavras e cores
Se lhe acabem de todo extinguindo.

(Sophia)

Não Importa

Viver... deixar-se levar pela torrente furiosa do tempo,
Onde não se sabe se é sonho ou dia,
Se é chuva ou se há vento..

Viver.. e se deixar ser vivido, sem mágoas, nem escrúpulos
Pois não há noite que sempre dure,
Nem dia, que não se acabe no escuro...

Sentir... não esperar, não buscar, não correr
Não deixar de sofrer, e nem calcular
Há a medida certa para o que acontecer...

Partir... não pensar, deixar o que quer que for
Pois, as lembranças, o que fica pra trás
É o que faz ser eterno o amor.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Quem sou.

Busco entender e conhecer o que vejo, as coisas que sinto, as pessoas que beijo e as razões por que minto... Se mergulho ou se água está fria, se o rio é raso ou se é muito fundo, se vivo a vida a divagar fantasias, ou se acordo e as trago a meu mundo... Se sucumbo e então desfaleço, se supero e então me refaço... não sei se penso ou se sinto, não sei se fico ou se passo... Se transcrevo o que me descreve, se me inspiro com isto e crio, se minha alma se enche e escreve, ou se a inveja me invade e copio...
Procurando voltar a ser o que sentia, a ver o que ouvia, escrever o que respirava, a sorrir como me perdia... Descobri, encontrei, cresci... e enquanto girava o mundo, ao pensar que evoluía, caí... ao imaginar como seria, perdi... ao perceber que vivia, morri...
Buscar ou desistir? Se buscar, perceber, pedir e procurar uma nova forma de encantar-se em existir... Perder horas vendo o céu refletir o mar, que está a quilômetros daqui... se buscar, dividindo somar, tudo o que de bom há em mim, e, só assim multiplicar, o que em mim é de mim tão desigual... reunir o que sou, disperso em quem sou, esquecendo o que é ter, para poder fazer com que haja o que faz valer a pena... Sentir que o vento não é só vento, que ainda sou filha da lua, escrever flores e sorrisos, tapetes macios e doces enganos... Entender o que vêem se me vêem, ou se apenas olham. errar.... e começar denovo... começar... e errar denovo... ou não. Ser clara enquanto dispersa, entendida se estiver submersa, para ser salva, denovo e denovo... Vislumbrar prazeres infindáveis, como as formas da natureza, nas próprias formas da natureza, que à minha alma, há de emprestar a beleza, que outrora, em viver residia e, que, ao acordar, encontrava. Se buscar, reaprender e decidir, assumir e escolher, entre a prosa e a poesia – metáforas de todas as decisões.
Depois de tudo, desistir? Desistir...
...é apenas passar.

Inércia

Ops, acho que acabo de desperdiçar um título promissor. Mas por que eu comecei pelo título, se o título deve ser a última coisa a ser escrita? Ora, porque não tenho o hábito de fazer as coisas da forma convencional. Não é que eu queira ser “do contra”, mas é que este é um hábito que já me é pertinente.
Pois bem, falo da inércia por que estava com vontade de escrever, mas sem saber por onde começar, então, apenas comecei. Desta vez pretendo um assunto novo, porque acho que já chega de escrever o epitáfio do meu amor...
Quem gosta de escrever, geralmente precisa que o que se escreve seja definitivo e claro, que seja algo inteligível (mas não de todo... sem subjetividade perde a graça...) e agradável, para que seja divertido a quem quer que o leia. No meu caso, esta passou a ser uma necessidade vigente desde o advento do blog; antes disto, apenas escrevia pelos motivos de Clarice Lispector, por ser a escrita um vício penoso, que no fim das contas é uma salvação, pois salva a alma presa e o dia que não se entende, a menos que se escreva...
“Quando não se tem mais nada, não se perde nada...” (Mantra – Nando Reis). Já me sinto livre de certos receios, de certos medos que sustentar algum estereótipo (ou vários) traz. Talvez esta “liberdade” seja o que me impede de escrever com maior freqüência. Muitos dos que anteriormente seriam promissores motivos para um texto já passam por mim sem que eu os perceba, ou melhor, sem me tocar com força suficiente para que eu sinta a necessidade de extravasar meu interior. Talvez esta recente inexorabilidade faça parte da minha própria evolução, assim como sua perda fez parte da evolução de um menino “conclusivo” (link).
A despeito da escassez de razões para escrever, a necessidade de me expressar “.doc” ainda vigora. Pois então, resolvi escrever sobre escrever, e apenas uma coisa separa meu texto, que já há alguns dias espera que eu pare de abri-lo para fechá-lo em seguida, de sua conclusão: um final, no mínimo, conclusivo.
... Que tal “fim”?