"Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos..."(Freud)

sábado, 22 de dezembro de 2007

Grupo Célula

É a segunda vez que escrevo um texto assim tão direcionado, tão "carta". Não era exatamente este o objetivo inicial (nem o do blog e nem o do texto - era pra ser carta-carta mesmo e não carta-texto :). Enfim, aos leitores que não tem nada a ver com o balangandan: era imperativo que eu postasse este e-mail aqui. Já homenageei pessoas que não me trouxeram um quinto dos benefícios que meu grupo me trouxe, então seria injusto privar-me deste post, porque senti uma vontade imensa de fazer isto! Logo....

Querido Grupo:

Meu convívio com vocês foi fundamental este ano, que foi um ano muito especial pra mim. Aprendi muito, conheci pessoas muitos especiais, solidifiquei relacionamentos importantes... Reconheci em vocês valores que valem a pena ser imitados, fraquezas que me deram forças por me fazer perceber que não sou a única a ter problemas, recebi, muitas vezes, um apoio extraordinário do qual nunca tive sequer amostra em outros lugares... Vi pessoas que realmente se preocupam umas com as outras, e que realmente estão juntas com um objetivo claro e propósito firme, coisa que já havia desistido de encontrar. Finalmente minha busca por um lugar assim cessou.
Vi problemas se resolverem de forma clara e sincera, vi algumas mágoas veladas serem dissipadas, enfim, fui privilegiada por ter tido a oportunidade deste convívio tão fantástico, tão maravilhoso.
Seria injusto se não parasse no final deste ano para agradecê-los por tudo o que fizeram, mesmo que muitas vezes vocês não tenham efetivamente "agido": houveram situações em que apenas o fato de alguns de vocês existirem já foi suficiente. Meninas, peço desculpas por haver me mantido tão distante em muitas situações, por muitas vezes ter deixado de agir quando deveria, por não ter facilitado aproximações e nem me mostrado como realmente sou...
2008 está aí, e com ele, 365 chances de dias diferentes, de amar mais, doar-se mais, de buscar a Deus com mais intensidade, de lembrar o porquê de tudo: Cristo. De colocar o Senhor em cada um dos nossos projetos, em cada um dos nossos dias, em cada pequena dúvida, em cada grande decisão. Vou buscar aproveitar as minhas 365 (melhor, são 366: é ano bissexto!! ;) chances para fazê-los mais felizes, para tentar estar mais presente na vida de vocês e para abrir meu coração pra que vocês também possam estar presentes na minha.

Desejo tudo, tudo, tudo de bom que Deus tem preparado pra nós. Que vocês sejam muito felizes e estejam sempre (e cada vez mais) na paz do Senhor.

Obrigada por tudo! Vocês fizeram uma diferença imensa na minha vida!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Ninho das Águias

Tão perto, que ainda posso ver Caxias. Tão longe, que ninguém me vê, sequer me imagina. É tão fácil e tão difícil chegar aqui, basta seguir a estrada: difícil é pôr-me nela. Paradoxal como a escrita: é fácil, difícil, eu sei, mas não sei.
É tão alto que ouço uma criança dizer “Mãe, aqui é o topo do mundo!”. Surpreendida pela frase, penso na sensação que a levaria a falar tal coisa, tão espontânea, tão óbvia, e fecho os olhos pra entender melhor... e me sinto no topo do mundo! Imaginação é um exercício tão fácil, tão divertido, que não entendo porque paramos de usufruir dela à medida que crescemos. Abro os olhos para contemplar uma infinidade de montes, permeados pela magnífica luz do sol, fazendo riscos de luz e sombra na paisagem esverdeada, e me vejo olhando a serra toda de cima, vendo cidades distantes a palmos uma da outra, e elas próprias, com pouco mais de um palmo...
Olho pra cima, e vejo o céu, e só. Fecho os olhos, e sinto o vento, e imagino que a vida deveria ser feita puramente de momentos como aquele. Ah, se a felicidade pudesse ser guardada para ser repetida mais e mais...

Eu estava no “topo do mundo” e meus sentimentos também. Desci em partes; a distração, a parte de mim que escreve, propriamente dita, ficou por lá...

(10/08/2007)

sábado, 21 de julho de 2007

Pétalas

Não me reconheço, em mim. Leio os meus antigos escritos, e me sinto como deveria sentir-se uma rosa desfolhada ao contemplar suas pétalas murchas, ao chão. Estranho aquelas pétalas murchas, que antes me eram tão caras e que agora, já não são mais eu. Passei a reler meus textos e me senti, de certa forma, uma intrusa em meio àqueles pensamentos que já não me representavam mais. Pensei em excluí-los, mas que droga, não há razão para fazê-lo.
Mudei tanto que modifiquei até o que não desejava mudar. Fiz gato e sapato de sensações e sentimentos passageiros e me coloquei por completo naqueles retratos de instantes, de sensações que às vezes não perduravam para além da noite de sono que seguia a escrita... Minha personalidade era rocha firme. Muitas vezes, me magoava ser tão dura assim, mas na maior parte do tempo, ah, como eu gostava...
Gostava, como gosto agora de perceber a sutil evolução dos pensamentos, nas palavras... Percebo que a pétala caída também sou eu, que a folha que se foi já não é, mas um dia foi parte de mim. Vergonha deles? Não. Essas poucas palavras que conseguia expelir para me libertar/desabafar foram o início da jornada mais libertadora da minha vida física: a escrita. Pela escrita, falo com pessoas distantes, com quem jamais falaria, em toda a vida. Falo com pessoas que vejo com freqüência, mas jamais diria o que digo aqui. Mostro-me com a mesma facilidade com que me escondo na vida real, atrás de máscaras de suposto mau-humor ou de fingida timidez. São só máscaras, que caem quando escrevo e que só quem conhece o que há por trás delas, sabe o quanto são falsas... Tão falsas, que já me disseram (inclusive em depoimento no orkut) que é impossível acreditar que alguém acredite em uma Bruna assim.
Escrever é libertar-se. De regras, de gramática e até de si mesmo. Posso repetir palavras, posso sentir o que finjo não sentir, posso ser eu mesma, aquela que em verdade, nem sou. Posso falar o que quiser, não importa se alguém vai ler: eu mesma vou.
Escrever é, também, conhecer a si mesmo. Eu não sabia que era feliz até escrever sobre felicidade, eu não sabia o quanto era cristã até escrever sobre Cristo, não sabia que era poeta até fazer poesia, e nem sabia o quanto amava até escrever sobre amor. Posso dizer então, que simplesmente não sabia quem eu era, enquanto não escrevi.
Existe uma alegoria de Platão que resumidamente diz que nossa auto-imagem é como se estivéssemos voltados para o fundo de uma caverna, observando apenas nossa própria sombra, acreditando tratar-se da realidade. Pois bem: a escrita não é a libertação propriamente dita, mas é um espelho colocado no fundo desta caverna. Faz com que possamos nos ver mais nitidamente, revela pensamentos e sensações que desconhecíamos, até que os escrevemos.
Ops, mais um texto. Mais um pouquinho de mim, para mim. E para quem quiser.

"Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim."

Cecília Meireles, A Grande.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Minhas Mãos (homenagem às mãos do Gabi)

Chamo-as assim não por serem efetivamente minhas, mas afetivamente, me pertencem. Elas destoam do todo, são paradoxalmente grandes e infantis, principalmente quando estão semi-encobertas por um determinado abrigo de moletom, que faz o dono delas parecer tão pequeno quanto é grande o abrigo. Essas mãos, que me obrigam a ser/parecer contraditória quando falo delas, tornam difícil a conclusão de qualquer raciocínio, por mera insuficiência de instrumentos lógicos...
São mãos grandes, de dedos grossos, que por isso parecem curtos, dando a impressão de impossibilidade de efetuar trabalhos minuciosos, são mãos com unhas infantis e palma larga, aparentemente feitas para trabalhos pesados, que, afinal, executam com destreza e rapidez.
Mas o que de melhor elas fazem é justamente o oposto do que parecem feitas para fazer: elas aquecem, acariciam e sustentam como nenhuma outra. Fazem os problemas parecerem pequenos, os fazem caber na palma da mão e desaparecerem em um piscar de olhos... são mágicas.
Fazem cócegas, fazem rir, fazem dormir, consertam o que parecia sem conserto, realizam sonhos e assustam quando largam o volante só por diversão... E no volante elas me levam pra longe, só pra arrancar sorrisos e suspiros de alívio quando estou em um lugar especial, onde nós dois repousamos nossas mentes e largamos os problemas lá atrás, deixando o sol bater e o vento soprar, vendo as folhas caírem, vendo o tempo passar... A precisão destas mãos ao guiar um carro me faz pensar em como guiarão minha vida...
Sim, porque, um dia, o dono daquelas mãos vai pedir a minha...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Distração

Ela sentada, sentindo aquela sensação que só sente quem precisa de palavras pra se sentir pleno, especialmente em noites de domingo ou feriado. Sentada na poltrona (a cadeira é incômoda), com o teclado entre seus joelhos e calada, com os fones de ouvido em um volume suficientemente alto para retirar sua atenção do que quer que seja, além do computador e de si mesma. Fica parada, esperando, até que a conexão consigo mesma seja suficiente para desafiar a inércia e pôr-se a escrever palavras vindas de algum lugar entre ela e ela mesma...
O que é que a atormenta para que sua alma lhe exija um texto? Novamente sua própria insuficiência, que, com o passar do tempo, se revela de formas cada vez mais diversas e abrangentes. põe-se a “falar” com quem poderá escutá-la, mesmo sem saber exatamente quem e quantas pessoas serão. Fala diretamente a eles, com a intimidade pertinente de quem confidencia um de seus momentos de maior intimidade e conexão interna, coisa que só assim lhe é possível que se faça.
Ela então, chega ao ponto crucial, que determinará se o texto seguirá até o seu fim (publicação) ou se será apenas mais um rabisco em seu arquivo de fichas de textos: o assunto. Se o assunto escolhido (às vezes nesta mesma hora, às vezes dias antes) não lhe der possibilidades de um final definitivo, ou então lhe der excessiva margem para assuntos extremamente interiores, que não deveriam ser tão cruamente explicitados, acabará por tornar-se um texto completo, com arquivo próprio, mas sem coragem ou intenção de ser publicado.
Começa a pensar e, pensando acaba por perceber que, infatti, não quer discorrer sobre assunto algum, não quer manifestar sua opinião, quer apenas companhia. Não há nenhum assunto específico que queira explicitar, nenhum sentimento em especial para quebrar com palavras. Quer apenas cumprir o ritual que tanto a agrada, e então passa a observar-se para descobrir o que de si deseja mostrar, como uma espécie de distração que a fará desconcentrar-se para novamente concentrar-se em si. Olha ao seu redor, mas mantêm os olhos fechados, e o que vê? O computador, seu ‘diário’ de momentos interiores, seu confidente ocasional... Vê que o principal para que o texto “aconteça” ali está: ela, sentada, sentindo aquela sensação que só sente quem precisa de palavras pra se sentir pleno, especialmente em noites de domingo ou feriado... Ora, o assunto é secundário, basta um pouco de distração.

quarta-feira, 21 de março de 2007

A Comodidade que vem do Tempo

Com o passar do tempo, nos tornamos ‘urnas’ repletas de significados. No início da vida (principalmente até o início da adolescência), tudo nos parece interessante, fascinante e, até mesmo, assustador. Inúmeras situações são capazes de provocar em nós ‘frios na barriga’. Mas com o passar do tempo, tendo já vivido diversas experiências, estas passam a repetir-se e já não nos assustam, nem nos exortam a buscar novas soluções. Muitas vezes, ao invés de nos agitar, de provocar-nos a vivê-las com a intensidade pertinente à agitação que anteriormente nos provocavam, nos trazem lembranças de momentos anteriores. Algumas vezes lembranças nos fazem ficar em silêncio por segundos (ou não), e não raras vezes disfarçamos para não dividi-las com que está por perto. Sem dúvida, o ar de mistério que acaba por se formar devido a tantos pensamentos, lembranças, fatos e significados, é o grande responsável pela alteração no semblante de uma pessoa, em sua maneira de expressar-se, de sentir, de sorrir, de viver.

Ao invés de pensar que estamos envelhecendo, penso que estamos, aos poucos, enchendo nossa ‘urna’, tornando-nos plenos de significados e conteúdo, de razões e entendimento. Ao invés de fugir do tempo e de sofrimentos (que é quase como ‘secar gelo’), por que não aproveitamos as experiências que nos são dadas e tratamos de preencher-nos com cuidado, sorvendo cada gota que se acrescenta às nossas experiências? Mas não com a indiferença com que se toma algum remédio por obrigação, apenas por que não há nada que se possa fazer para evitá-lo, mas sim, com a delicadeza e atenção com que se degusta um doce (ou vinho, não deixemos de analisar a proposta por erro de metáfora, por favor). A vida pode sim (e deve!) ser tratada como uma experiência fantástica e intrigante, e não como uma obrigação penosa. Tomar esta atitude depende única e exclusivamente de cada um. Difícil? Não se pudermos pensar que toda a caminhada começa com um único passo...

Depois deste texto, ai de quem me vier dizer que “a vida não é um docinho”...

 

Louco... um pouco.

O poeta é um louco
De uma loucura passageira
Que, embora ele queira
Às vezes não passa...

Não importa o que faça,
Jamais vira gente,
Por mais que ele tente,
Poeta é outro ser...

...só sabe escrever.

terça-feira, 13 de março de 2007

Heterônimos

Uma bela paisagem não se afeta com os pensamentos existentes por trás de olhares que se lançam a ela. Vento, sol e chuva, ou então ações de vontades contidas em pensamentos sim, estes podem alterá-la, contando que tenham poder para isto.

Amigos: belos e fugazes olhares, sem poder algum... apenas meros e intrigantes olhares, que afetam a paisagem dentro de suas parcas possibilidades... que apenas a enaltecem conquanto tentam modificá-la por simples desejo de não passar, de deixar de ser olhar, e ser paisagem... (Dorilys)

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De quantos beijos necessitamos para ser rosa?
E quantos elogios são necessários, para que não nos caiam as pétalas?

Com quantas mãos, sorrisos e olhares se faz uma imagem?
E quantas pedras, escarros e lágrimas são necessárias para desfazê-la?

De quantos heterônimos necessitamos para sermos livres?
E qual a dose de realidade é necessária, para que não nos escravizem?

De quantas estrelas necessitamos para que não nos falte brilho?
E quanto devemos brilhar, para sermos estrelas?

(Dorilys)

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Iluminar passos de quem a cerca,
Manter suavidade de flor,
Manter-se imagem diversa
Daquela que vive em dor.

Sorrir aos lábios que escarram
Afagar a mão que apedreja
Fingir que não vê e não sente
O veneno da boca que beija...

Revezando pessoas e faces
Morrer aos poucos, sorrindo
Não crendo que lhes apraza

Que a luz se lhe vá esvaindo
Até que as palavras e cores
Se lhe acabem de todo extinguindo.

(Sophia)

Não Importa

Viver... deixar-se levar pela torrente furiosa do tempo,
Onde não se sabe se é sonho ou dia,
Se é chuva ou se há vento..

Viver.. e se deixar ser vivido, sem mágoas, nem escrúpulos
Pois não há noite que sempre dure,
Nem dia, que não se acabe no escuro...

Sentir... não esperar, não buscar, não correr
Não deixar de sofrer, e nem calcular
Há a medida certa para o que acontecer...

Partir... não pensar, deixar o que quer que for
Pois, as lembranças, o que fica pra trás
É o que faz ser eterno o amor.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Quem sou.

Busco entender e conhecer o que vejo, as coisas que sinto, as pessoas que beijo e as razões por que minto... Se mergulho ou se água está fria, se o rio é raso ou se é muito fundo, se vivo a vida a divagar fantasias, ou se acordo e as trago a meu mundo... Se sucumbo e então desfaleço, se supero e então me refaço... não sei se penso ou se sinto, não sei se fico ou se passo... Se transcrevo o que me descreve, se me inspiro com isto e crio, se minha alma se enche e escreve, ou se a inveja me invade e copio...
Procurando voltar a ser o que sentia, a ver o que ouvia, escrever o que respirava, a sorrir como me perdia... Descobri, encontrei, cresci... e enquanto girava o mundo, ao pensar que evoluía, caí... ao imaginar como seria, perdi... ao perceber que vivia, morri...
Buscar ou desistir? Se buscar, perceber, pedir e procurar uma nova forma de encantar-se em existir... Perder horas vendo o céu refletir o mar, que está a quilômetros daqui... se buscar, dividindo somar, tudo o que de bom há em mim, e, só assim multiplicar, o que em mim é de mim tão desigual... reunir o que sou, disperso em quem sou, esquecendo o que é ter, para poder fazer com que haja o que faz valer a pena... Sentir que o vento não é só vento, que ainda sou filha da lua, escrever flores e sorrisos, tapetes macios e doces enganos... Entender o que vêem se me vêem, ou se apenas olham. errar.... e começar denovo... começar... e errar denovo... ou não. Ser clara enquanto dispersa, entendida se estiver submersa, para ser salva, denovo e denovo... Vislumbrar prazeres infindáveis, como as formas da natureza, nas próprias formas da natureza, que à minha alma, há de emprestar a beleza, que outrora, em viver residia e, que, ao acordar, encontrava. Se buscar, reaprender e decidir, assumir e escolher, entre a prosa e a poesia – metáforas de todas as decisões.
Depois de tudo, desistir? Desistir...
...é apenas passar.

Inércia

Ops, acho que acabo de desperdiçar um título promissor. Mas por que eu comecei pelo título, se o título deve ser a última coisa a ser escrita? Ora, porque não tenho o hábito de fazer as coisas da forma convencional. Não é que eu queira ser “do contra”, mas é que este é um hábito que já me é pertinente.
Pois bem, falo da inércia por que estava com vontade de escrever, mas sem saber por onde começar, então, apenas comecei. Desta vez pretendo um assunto novo, porque acho que já chega de escrever o epitáfio do meu amor...
Quem gosta de escrever, geralmente precisa que o que se escreve seja definitivo e claro, que seja algo inteligível (mas não de todo... sem subjetividade perde a graça...) e agradável, para que seja divertido a quem quer que o leia. No meu caso, esta passou a ser uma necessidade vigente desde o advento do blog; antes disto, apenas escrevia pelos motivos de Clarice Lispector, por ser a escrita um vício penoso, que no fim das contas é uma salvação, pois salva a alma presa e o dia que não se entende, a menos que se escreva...
“Quando não se tem mais nada, não se perde nada...” (Mantra – Nando Reis). Já me sinto livre de certos receios, de certos medos que sustentar algum estereótipo (ou vários) traz. Talvez esta “liberdade” seja o que me impede de escrever com maior freqüência. Muitos dos que anteriormente seriam promissores motivos para um texto já passam por mim sem que eu os perceba, ou melhor, sem me tocar com força suficiente para que eu sinta a necessidade de extravasar meu interior. Talvez esta recente inexorabilidade faça parte da minha própria evolução, assim como sua perda fez parte da evolução de um menino “conclusivo” (link).
A despeito da escassez de razões para escrever, a necessidade de me expressar “.doc” ainda vigora. Pois então, resolvi escrever sobre escrever, e apenas uma coisa separa meu texto, que já há alguns dias espera que eu pare de abri-lo para fechá-lo em seguida, de sua conclusão: um final, no mínimo, conclusivo.
... Que tal “fim”?

segunda-feira, 5 de março de 2007

Já que...

(Este texto estava apenas aguardando coragem para ser postado. Depois de um ano de escrito, ei-lo aqui...)
Tenho fama de boa leitora, mas não é por nenhuma razão “cultural”, é apenas um vício, como qualquer outro; é um destes vícios permitidos e estranhamente comuns, destes que cada um tem o seu. Pois não é que, gostando tanto de ler, e já tendo lido de tudo um pouco, não consigo escrever nada que possa dizer que leria? Infelizmente é verdade, nem tudo o que gostamos de fazer o sabemos.
Demorei tanto tempo para fazer esta constatação, tão certa e tão óbvia.. E agora vejo também o quão abrangente ela é: pude aplicá-la a meus relacionamentos, pois tive provas de que, não importa o quanto se goste de uma pessoa, ou com quanta intensidade se deseje fazê-la feliz enquanto tentamos ser, as coisas podem não dar certo. Vi um relacionamento fadado ao fracasso extinguir-se, quando quem estava prestes a se extinguir era eu, juntamente com meus esforços para fazê-lo dar certo... Como posso ter ficado triste?
Pois é, eu costumo desaparecer do blog, e quando volto, é cheia de dores-de-cotovelo, para a desgraça de meus escassíssimos e cada vez mais raros leitores... Não os culpo, já disse que também não leria. Mas desta vez, há uma diferença: não decidi escrever por simples vontade de desabafar abertamente minha repulsa para com a vida em sociedade, desta vez é pra falar sobre uma nova condição comportamental... Meus sumiços do blog devem-se também à falta de razão para verbalizar qualquer sentimento e à minha atual “falta de assunto”, que no fim das contas, acabam sendo a mesma coisa. Agradeço profundamente à dica e a semi-oculta motivação que ela contém, mas não posso falar sobre como estou me sentindo, por que, quando escrevo, estou sempre “morna”, sempre naquele estado de espírito entre “inconsolável” e “superado”, que é exatamente o meu “vácuo” criativo (criativo???), o único estado que me motiva a sentar o traseiro na poltrona e desatar a dilacerar o teclado.
Pois bem, acabo de por um fim FIM mesmo, sem chances de volta, a um relacionamento que só me fazia mal, em todos os sentidos e de todas as formas possíveis; a um relacionamento fadado ao fracasso, desde seu primeiro momento. Fui eu quem terminou, depois ele, e depois eu denovo, e assim sucessivamente... Mas faz alguma diferença isto? Definitivamente não. Meu namoro beirava a loucura, meu amor beirava o servilismo, e isto certamente não faria bem a ninguém. É muito bom ter pessoas que me movam a pensar em mim, mesmo que eu seja suficientemente ingrata para não o fazer, às vezes...
Relendo meu texto, pensei em substituir a palavra “servilismo”, pois me pareceu um tanto brusca, um tanto “pesada”, mesmo sendo real. Sinceramente, pensei em substituí-la pois ela revelaria a quem me conhece uma faceta totalmente desconhecida (talvez intuída, mas nunca demonstrada) do meu comportamento e sentimentos... Mas por que devo continuar a me esconder dessa forma maluca? É muito difícil desafiar meus anos de prática em disfarces, mas acho que já chegou a hora de me despir. Não desejo sustentar nenhum estereótipo de Bruna, nem criar novos, e não é por nenhum princípio de última hora, apenas sinto a necessidade de me mostrar para descobrir quem gosta de mim, forma e conteúdo reais, não imaginários como meus objetivos... Quero ser real, me sinto inventada, me sinto criada, de certa forma, por meus desejos mais sutis de adolescente convicta em si mesma... Mas agora eu já não sou mais o que era, e não desejo ser outra coisa que não o que agora sou.
Tem alguém ainda aí? Então, vamos ao “strip-tease“...
Comecemos pelos sapatos e meias.... Sou extremamente sensível, e, ao contrário do que a grande maioria pensa (e do que meu instintivo refúgio faz parecer), detesto manter esta pose de durona e impassível que sempre tenho, principalmente quando estou completamente quebrada por dentro.
Fico deprimida com a mesma facilidade com que chove aqui no sul (certo, estamos em período de seca. Mas mantenho o exemplo). Tento parecer feliz sempre, mas não é sempre que funciona. Ao contrário do que muitos pensam, minha vida NÃO é um mar de rosas e as coisas muito raramente dão certo pra mim. Só faço besteiras, não sei gerenciar meu tempo, nem meu trabalho, nem minha vida, nem meu cachorro, nem porcaria nenhuma e, se houver alguma coisa que eu saiba fazer direitinho, por favor me contem...
Vamos tirar uma peça de “roupa” mais conclusiva, como por exemplo, meu amor por meu ex... Sim, amei muito, amei louquíssimamente, de uma forma incontestável e plena, dolorosa e salvadora, construtiva e desconexa, edificante e desvanecedora, enfim, amei como nem imaginava que fosse possível. Deve ser bem difícil pra quem me conhece bem acreditar em uma coisa dessas, tendo em vista que nunca demonstrei estar assim tão “poeticamente” perdida. Sempre lhes pareceu que eu estivesse no controle de tudo, não é? Mas não, durante uma considerável parte do tempo em que estive namorando, encontrei-me “de sonho ferida sem querer me curar”, como diria Cecília Meireles. Antes de prosseguir, quero deixar bem claro que, se hoje consigo falar sobre isso sem barreiras, é por que já não o amo mais, ao menos não desta forma destrutiva... Amo-o como se ama a uma lembrança, como se amaria a uma criança estúpida, mas querida (opa, nova citação: desta vez foi Lampedusa), nada mais. Inclusive ressalto que o declínio deste amor tão influente é o que me faz querer renunciar a tudo o que não for rocha, tudo o que não for certo, verdadeiro e duradouro. O que não posso levar comigo, o que sei que se irá desvanecer, como meu amor (que Deus o tenha), já não tento imortalizar com crenças banais: deixo por aqui mesmo.
Puxa, já estou me sentindo despida, e mesmo assim ainda há mais, muito mais... Mas devo parar por aqui pois, se me despir por completo, nada diferenciará minha nudez da repugnante nudez dos vermes... Não, não quero tornar-me tão clara, tão acessível; vou manter parte de minhas vestes, mas apenas o necessário para permitir que sobreviva minha subjetividade, assegurando-me mais alguns anos de convívio social necessário. Deixo o resto de meus disfarces para que o tire pessoalmente quem quiser... ou puder.

domingo, 12 de março de 2006

Interações...(título provisório)

Todas as pessoas têm amigos, até mesmo aquelas que nunca imaginamos interagindo socialmente. Mesmo os CDF’s, (sim, até nós! Digo, eles, eles...) interagem – entre si, somente, na maioria das vezes – mas interagem. E o fato de todas as pessoas estabelecerem contatos com outras, que estabelecem contatos com outras ainda, e cosi via, me parece um grande problema...
Não pretendo que as pessoas parem de falar (totalmente) umas com as outras. Mas parei para pensar (quem puder ou conseguir, faça o mesmo) em que implica este convívio com nossos “semelhantes”. A princípio, temos amigos que nos divertem, nos consolam, nos auxiliam e – o pior de tudo – aconselham. É sutil a forma com que nos influenciam e nos modificam. Os deslumbrados (do tipo “oba, tenho amigos! E muitos! Estourei um perfil no orkut!”) são os que têm menos chance de perceber. Mas prestem atenção...
O estado natural de todas as pessoas deveria ser o silêncio. Partindo do silêncio, falariam somente quando o que dizem fosse tanto ou mais agradável que o silêncio, ou então, quando fosse necessário. (Sim, de todos os péssimos exemplos que eu poderia dar, sou o pior e mais tagarela. Mas ainda tenho cura, visto que percebi. Ademais, vivemos no país do “faça o que eu digo, não o que faço”). Por que cargas d’água nossos queridos amigos nos tentam fazer rir e falar o tempo todo?!?!?! Não rir de nada é sem sentido, pessoas sérias demais são amargas. Por outro lado, pessoas que riem de tudo são ridículas, pior que isto: são vazias. Todo mundo precisa ficar quieto por um tempo, é fútil tentar fazer as pessoas rirem o tempo todo, para manter uma falsa impressão de felicidade geral. Moral da história um: amigo não é aquele que te mantém sorrindo, mas é aquele que, se não entende, ao menos respeita a tua tristeza (ou seriedade). Não precisa ficar sério junto (e nem deve), mas, assim como não adota o teu estado de espírito, não deve te arrastar para o dele.
Há também aqueles casos onde o teu amigo te dá dicas e conselhos de como se vestir, como se portar, o que ler, o que ouvir o que fazer... Mesmo que não diga, apenas o fato de saírem muito juntos, faz com que um (em raros casos os dois) absorvam as preferências do outro por “osmose”. Aos poucos, vamos nos modificando, absorvendo e adotando seus gostos e preferências, e, como acontece em qualquer tipo de interação social, vamos nos tornando cada vez mais parecidos com ele, e cada vez menos com nós mesmos... Por fim, acabamos tomando por nossos, traços da personalidade de outras pessoas, e fazendo (ou deixando de fazer) coisas que, em condições normais faríamos (ou deixaríamos de fazer).Tem muito a ver com aquela “busca por aceitação” em um determinado grupo, que é encontrada com maior incidência quanto menor for a idade do indivíduo. Não é à toa que a maioria das pessoas entra em crise de “quem sou eu” o tempo todo... Moral da história dois: convivência freqüente e amigos muito próximos representam um grande risco à originalidade pessoal.
Posso ser considerada louca por algum hegeliano de passagem por aqui, pelo fato de defender com tanta veemência o isolamento individual... Mas loucura, para mim, é manter, durante tanto tempo, contatos duradouros com pessoas que acrescentam muito pouco de agradável às nossas experiências, e, conseqüentemente, á forma como passamos a ver o mundo, pelo contrário: obrigam-nos a exercitar aquela virtude dos acomodados, a tal “paciência”...

Pura rabugice? Pode ser. Mas pelo menos é minha...

Uma noite longa, pra uma vida curta...

Fugir de interações sociais... esse é o lema. Mentiras e amizade... esse é o motivo. Um show interminável, músicas cobertas de significado, cantadas para milhares de vidas, em sua grande maioria sem significado algum. Qual o objetivo de ver tanta gente? De ser visto? De cumprimentar, conversar e interagir? Nenhum. Então, por que continuar?
Tive um certo tempo de vida perdido nisso. Comparado a toda uma vida, esse tempo foi relativamente curto, mas em que se resume o tempo? Em frações menores. Um mês, divide-se em dias... e cada dia perdido não deve ser visto isoladamente, mas sim, como parte desse mês... tic, tac, tic, tac... tempo perdido.
Noites, a princípio curtas,mas que com o passar do tempo foram se tornado intermináveis. Maldito “mais um”!
Em outros dias (e noites) quis estar perto das pessoas que me alegravam, me faziam sorrir. De repente, uma história cheia de impasses, mentiras e orgulho envolve a todos. Decido que a verdade, desde o início, me manteria sã. Decido não enganar, nem mentir, nem trair, mas com o passar do tempo, já não entendo o que acontece, não sei em quem acredito. Confio e sou traída, confiam em mim, e traio. Por que razão? Com que motivo? Ego. Orgulho. Não meus, diga-se desde o início.
Mas pensando bem agora... pouco importa isso tudo. Serão somente lembranças, algumas a mais, em meio a tantas outras. É este tipo de experiência que nos faz crescer, amadurecer, que faz com que nos tornemos pessoas mais experientes, velhas e chatas. Agora entendo que a idade realmente está no espírito: cada experiência dolorida acrescenta alguns anos à nossa vida, à nossa mente, à nossa forma de agir, e sobretudo, de pensar. Então, por hora, isto é tudo o que eu e meus oitenta anos temos a dizer.
Boa noite, meus filhos...

About Me

Uns dizem que sou doida... Outros também. Sou uma menina que não acredita em bruxas, mesmo sendo uma delas. Sou suficientemente esperta para perceber o que as pessoas pensam, e suficientemente ingênua para acreditar que as pessoas se importam comigo, enquanto fazem coisas que me magoam... Já errei algumas vezes, e busco admitir sempre, embora às vezes, não tenha coragem para encarar todos os problemas logo de cara (mas mesmo assim sou sempre obrigada a fazê-lo). Quando gosto, gosto intensamente, mesmo que isso me custe algumas desilusões (não estou necessariamente falando de affairs). Faço muitas renúncias quando é para o bem de alguém, mesmo que esse alguém não esteja pensando necessariamente no meu bem... Ah, e vou custar a acreditar quando alguém disser que sou especial... Aliás, vou fugir dessa pessoa com quantas pernas me restarem...
Hum, que primeiro parágrafo desiludido! Comecei meio mal, né? Deixei que um mau-humor momentâneo dominasse o texto... mas vamos adiante... Vou testar minha capacidade não deletando isso e tentando mudar essa primeira imagem.
O que mais posso dizer? Deixem-me ver... Sinto muito sono quando faço alguma coisa que não gosto ou não quero fazer, não é má vontade (na maioria das vezes, pelo menos). Aliás, sinto sono sempre que estou acordada.
Ah, pra quem me conhece pelo menos um pouquinho, nem preciso falar que a-d-o-r-o livros, não consigo ficar sem ler alguma coisa mais de um ou dois dias. Leio até rótulo de shampoo no banho... (xampu é uma palavra muito feia). Considero que alterar uma única letra muda toda a palavra e o que ela transmite ao leitor (Kassandra e Cassandra são duas pessoas completamente diferentes pra mim). Por isso odeio a maioria das palavras aportuguesadas (será que essa palavra existe?)... também as odeio porque me parecem “teorias açucarônicas” se confirmando... A palavra “leiaute”, por exemplo, foi um choque muito grande pra mim... Posso dizer que ainda não me recuperei do mau-humor que esta alteração me causou...humpf! Ainda sobre livros, sempre carrego um junto, e não é pra manter a fama de menina inteligente. Simplesmente tenho medo de ficar sem um livro na hora em que tiver vontade (ou oportunidade) de ler. Amo comprar livros, se forem usados então...hummmm... Sentir aquele cheirinho, folhar os livros ao léu, ler um pedaço pra ver se a “atmosfera” do livro é boa...
E por falar em “manter a fama de menina inteligente”, não posso esquecer de escrever aqui que continuo sem entender de onde ela vem. Talvez seja do hábito da leitura (que é um vício, como chocolate ou qualquer outro), ou da mania de corrigir os erros de português das outras pessoas. Sou simplesmente viciada e chata, isso não me faz inteligente. Aliás, adoro corrigir os outros, mas não entendo nada de português, sei se está certo ou errado, mas raramente sei o porquê (nem imagino o que seja um verbo transitivo direto ou indireto, ou sei-lá-o-quê). Bem como não imagino o que seja um logaritmo (juro!), o que não me impediu de passar em segundo lugar no vestibular e cursar faculdade de Matemática (hehehehe... imaginem o nível do resto dos candidatos – se tu eras um deles, foi mal...). A fama de inteligente espanta os meninos, sabiam? Sendo assim, ando a cultivar minha futilidade, há tanto esquecida na esfera subliminar da minha consciência, donde tento fazê-la ressurgir... hehehe...
Tenho a mania de apertar a caps sem querer... Tentem não se irritar com isso...
Acredito em Deus profundamente, tive grandes motivos para isto.
Tenho manias esquisitas (quem não tem?). Bah, não consigo pensar em nenhuma agora... mas até o fim do texto, prometo que escrevo alguma.
Adoro poesias. Mas não toda e qualquer poesia, indiscriminadamente. Tenho autores que amo, outros que aturo, e uns que detesto, bem como os que não entendo, e, por isso, não fedem nem cheiram...
Tenho muitas idéias, alguns planos, poucas metas e raríssimas conquistas que tenham nascido de mim em forma de idéias, virado planos... e cosi via. Neste momento estou escrevendo um texto completamente desconexo e cheio de erros, (imagem) que com certeza vou reler no final e achar um lixo. Odeio ervilhas, mas como por educação (sabe quando tem molho de ervilhas na casa de uma pessoa, e sou convidada? Eu é que não vou tirar bolinha por bolinha e botar no cantinho do prato... coisa feia... imagina a cara do anfitrião). Peixes são fantásticos, quando vivos, nadando e longe de mim. Alfaces são amigas, não comida, mas às vezes, sinto vontade de comer uma bacia delas...
Adoro escrever, principalmente se for engraçado. Adoro ler o que o Pedro escreve, mesmo que não seja pra mim (snif...). Tenho mania de ouvir tudo o que ele me diz: estou até pensando seriamente em ter um gato... (isso, Pedro, ri bastante).
Ah, as manias estranhas. Vou ter que pedir ajuda pra Carol...vejamos... Tenho mania de pôr os rolinhos de dentro do papel higiênico para reciclar. Mania de deixar o celular despertar sete vezes antes de levantar. De aprender palavras estranhas (e tentar usá-las – pobres dos meus amigos...). De pôr as canetas de ponta para cima no porta-canetas. De me enroscar nas cobertas para dormir. De só dormir de barriga para baixo. Tá bom assim, já chega.
Odeio gente burra, odeio Gugu, Globo, Sbt, Record, Televisão em geral... detesto Big Brother... Mas acabei de parar de escrever para ir ver quem foi eliminado (obaaaaa, foi a Lea...). Sou extremamente contraditória (será?). Amo reticências, parênteses (será??). Acho engraçado quando dizem “asterístico”, odeio quando pedem se dá pra “mim fazer” (ui, doeu escrever isso). Odeio esquecer o que eu ia dizer (isso aconteceu dezenas de vezes até aqui), odeio que me interrompam.
Putz, uma ironia: acabaram de me interromper. Conseqüentemente, esqueci o que eu ia dizer...
Bem, bem... Sou intempestiva, chata e adoro atenção. Adoro elogios, mas ainda não aprendi a lidar com eles. Adoro presentes, aaaamooooo ursinhos de pelúcia (um dos meus traumas foi não ter ganhado nenhum do ex-amor da minha vida... snif). Sou um pouco controversa e imatura quando fico nervosa, mas ultimamente, estou aprendendo a me controlar a tempo. Odeio calor, prefiro frio. Ah, vai dizer que o inverno não é melhor em tudo? Cobertor, filminho, pipoca, pé gelado, pé quentinho... Adoro lancy, meu chocolate favorito; Laka ocupa o segundo lugar no podium. Amo blusas e jaquetas com listinhas nas mangas, amo golas enormes e capuz. Sou muito comilona: na última vez que fomos à pizzaria, a Gaby (nossa recordista, ganha até dos meninos) perdeu: 14 x 11. Viva eu!
Esqueço tudo, tenho que anotar pra não esquecer (viva meu bloquinho verde!). Odeio situações embaraçosas, odeio me sentir deslocada, adoro gente inteligente, com boa percepção (vulgo “sefragol”) e atitude (obrigada, Gian e Pri!). Gosto de atenção, adoro e-mails freqüentes (Gracias, Gu!). Não gosto de usar verde, nunca tinha usado até entrar na CDL (onde, para quem não sabe, o uniforme é verde! Que sorte a minha, não?). Ultimamente estou me habituando à cor, e, daqui a um tempo, não vou me surpreender se acontecer como o rosa: do ódio ao amor total.
Tenho tido tantas mudanças, tenho vivido e aturado tantas coisas diferentes, que ficou difícil definir quem eu sou... Isso é bom, não gosto de pessoas imutáveis. Costumo voltar atrás sim, não tenho compromisso com o erro (nossa, que frase de agenda escolar! Não é minha, alguém deve ter perdido por aí, e eu juntei sem querer...).
Gosto de pepino, mas a Karina gosta mais. Adoro porquinhos cor-de-rosa, mas a Jane adora mais que eu. Odeio (odeio muuuuuuuito) quem joga lixo na rua. Se fizer isso perto de mim em um dos não raros momentos em que meu humor está péssimo, corre o risco de passar vergonha.
Adoro chuva, (tomar um banho de chuva, banho de chuvaaaa...hehehehe). E que mania as pessoas têm de ficar chamando cheiro de chuva de “cheiro de terra molhada”. Moro na cidade, só vejo e só sinto cheiro de calçada molhada quando chove.
A esmagadora maioria das pessoas que conheço chamam de falsidade o ato de conversar, interagir com alguém a quem se quer torcer o pescoço até separar a cabeça do resto do corpo. Eu também achava que era assim, mas agora começo a perceber outros nomes (conseqüentemente, novos significados) para isto. Posso chamar de civilidade, de maturidade, de convivência em sociedade. Não devemos virar o rosto para essa pessoa, muitas vezes precisamos vê-la todos os fins-de-semana... Ele inventou milhares de mentiras a teu respeito? Difamou-te para os teus amigos? Problema é dele. Não permita que ele te diminua, fazendo com que sintas ódio dele. Se fizeres isto, o ambiente ficará pesado para ti, e para as outras pessoas que estiverem por perto. Isso estraga tudo! Melhor é viver em paz. Por fim, não sou ingênua a ponto de acreditar que alguém vá ler isto aqui até o final (exceto Pedro, Leandro e Gustavo – obrigada, queridos!). Se mais alguém que não estes chegarem a ler (tudo), deixem um scrap (ou comentário, se for no blog), que eu vou ficar bem feliz... Ah, meu blog: muitas besteiras escritas, mas ao menos dá pra ter uma noção de como eu sou maluca...
Muito atenciosamente, Bruna Moreira.
Post Scriptum: Realmente, reli e no final achei um lixo. Mas postei.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Sinal de vida...

Hum.. quem diria... olha eu aqui, escrevendo especialmente para o blog (antes eu só estava postando coisas já escritas por mim, só pra não abandonar o blog...), e ainda por cima fora de casa (sim, tenho a mesma mania de "ter" que estar em casa, como para ir ao banheiro...)
Enfim, decidi escrever porque hoje estou um pouco "abandonada", o que maximiza minha vontade de escrever. Musiquinha deprê? Perfeito. Falta só assunto...

Então, que tal a falta total dele?

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Bom Dia, meu amor!

Imagino a tua ansiedade olhando os e-mails...Querendo ler um determinado nome no lugar do remetente...
Imagino a tua expressão quando este e-mail finalmente chega, e a ansiedade dos dois cliques para abrir a mensagem...Em um milésimo de segundo, passam pela tua cabeça todas as possibilidades, todas as palavras que podem estar escritas neste e-mail...
Imagino toda a expectativa que um gesto tão simples e corriqueiro (mandar um e-mail), tão fácil pra mim deve estar te causando...
Sinto uma responsabilidade muito grande, pois qualquer palavra mal pensada, mal sugerida pela minha mente aos meus dedos, pode macular este dia tão lindo, fazer-te sentir incompleto, insatisfeito... e aí, tu ligarias para mim por impulso, este impulso causado pelo sentimento de que algo não está certo, de que precisamos encerrar seja lá o que for. Admito que não seria nem um pouco ruim ouvir tua voz, mas, mesmo assim, optei por começar com um "Bom dia amor", para te deixar um pouco mais leve, e para me sentir mais à vontade ao te dizer o que vou dizer.

Hoje é um dia muito especial, querido. Hoje é o dia em que completas vinte e dois aninhos de vida. São vinte e dois anos de existência de uma pessoa que marcou minha vida mais do que posso dizer, mesmo em um milhão de e-mails e recados. Destes vinte e dois anos, sinto muito orgulho por haver estado no teu caminho em três e meio deles. Não sei como posso te dizer o quanto este tempo mudou e marcou minha vida, e como me sinto cada vez que penso em ti. Sei que as minhas palavras estão um pouco confusas e misturadas, com a desordem própria de quem escreve com lágrimas nos olhos e com mil palavras na cabeça, mas vou persistir e tentar dizer o que estou sentindo.
Penso nos outros trinta de janeiro, em como passamos juntos nos três anos anteriores. Livros, espadas, beijos, abraços efusivos e sorrisos, muitos sorrisos... Penso também em dezenoves de setembro, em como a tua presença foi fundamental para cada um deles, mas lembro particularmente de um dia em que eu estava triste, me sentindo tão sozinha, e uma cesta me fez imediatamente sentir que sempre havia alguém pensando em mim, em algum lugar, lugar que eu conhecia tão bem, e onde eu quis estar naquele momento. Sei que nossa vida não foi sempre "um docinho", que, na maior parte do tempo houveram sobressaltos e discórdias, mas, acima de tudo sei o quanto cresci, e o quanto aprendi a te amar com eles. Passamos por muitas coisas, e, durante muito tempo, resistimos e ficamos juntos, pois, junto com as dificuldades, nosso amor crescia a cada dia...
Hoje já não estamos fazendo planos conjuntos para o futuro, já não pensamos mais em uma casa com um gramado na frente e um cachorro para nos esperar sempre que voltarmos para casa, mas mesmo assim, sei que sempre seremos parte da vida um do outro, não como antes desejávamos, mas inevitavelmente, parte da vida um do outro.

Bem, prefiro deixar para escrever em uma outra hora, quando eu puder ao menos ver o que estou dizendo, sem turvar meus olhos, como imagino que os teus estejam agora...
Meu escritor favorito disse que o amor é eterno, pois as lembranças o são...
Então, meu eterno e querido amor, assim como te amo enquanto escrevo estas linhas, vou te amar pra sempre, mesmo que já não estejas aqui.
Desejo que tenhas um feliz aniversário, uma vida feliz e repleta de sorrisos, e espero que estes sorrisos estejam presentes quando pensares em mim, mesmo se estiveres longe.

Beijos e abraços da tua eterna namoradinha (não é assim que me chamavas? Então, penso que concordes com a teoria das lembranças...). Serei sempre tua enquanto pensares em mim, pois as tuas lembranças já não te podem tirar.
Te amo, com todo o significado que essas letrinhas combinadas podem ter.

Bruna Moreira.

sábado, 12 de novembro de 2005

Poesia, amor, vento...

Poesia
Suave melodia
Desabafo silencioso
Alívio doloroso
De uma alma inquieta

Amor
Delírio e dor
Olhar de relance
Longe do alcance
De um intenso poeta

Vento
Vida e momento
Alegria e tristeza
Força e fraqueza
Essência encontrada

Eu
Nada que é meu
Presença inútil
Alegria tão fútil
Não me resta mais nada.

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Nada do que disseste

Nada do que disseste
Altera o meu pensamento:
Jamais uma borboleta
Alterou o curso do vento...

Sei bem não ser possível
Ignorar-me a todo o momento
Ou então deixar de ouvir-me
Se te for minha voz um tormento...

Mas cego estás, se não vês
O quanto destrói-me por dentro
Ignorando as expectativas,

Os sonhos que acalento,
A dor que isto me causa
E o amor, que acaba morrendo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Eu continuo aqui...

Eu simplesmente continuo aqui
Movida por meus antigos medos
E por vários outros segredos
Que pra sempre me prendem a ti.

E, se precisas ir embora
Eu vou ter que te deixar partir...
Mas ainda consigo te sentir,
Mesmo não estando aqui agora.

Não me deixe aqui sozinha
Tenho medo de não viver
Sem te ouvir, sem te ter...
Ainda sou uma garotinha.

Não imaginava ser assim
A dor é real e tão forte
Que, ás vezes penso que a morte
Seria o melhor pra mim

Tentei de todo o jeito superar
Achando que, aos poucos iria esquecer
E que a dor fosse enfraquecer
Mas isso é muito pro tempo apagar

Se tuas lágrimas caíssem,
Eu estaria sempre contigo
Com beijos e um ombro amigo
Até que tuas mágoas partissem

Eu estive, por muitos anos
Cuidando do teu coração
Ou então segurando tua mão
E suportando teus tantos enganos...

Sempre soubeste a importância
Da luz que vinha dos olhos teus
E que, nos caminhos dos sonhos meus,
Conduzem agora minha eterna esperança..

Para ouvir tua voz arrisco tudo
Qualquer palavra que ecoe em minha alma
Que me enlouqueça e me deixe calma
É suficiente – mas ficas mudo.

Eu ainda continuo tentando
Convencer-me de que fostes embora
Mas em meu coração, a certeza que mora
É de que, se fostes, acabas voltando

Mesmo que não pareça ser assim
(pois tudo é um disfarce do orgulho e da dor)
continuas a ter todo o meu amor

bem como tudo o que há em mim.

(little brick)

sábado, 22 de outubro de 2005

Se Einstein falou...

"Tendo eu estudado durante toda a minha vida o universo, suas leis, seus mistérios; posso afirmar com plena certeza que é impossível e improvável que tal maravilha não seja obra de um ser de capacidade e inteligência infinitamente superiores a nossa, visto a harmonia e precisão de segundos, milimetros com que o mesmo funciona."
ALBERT EINSTEN

Para mim, essa é a prova científica da existência de Deus .. independente de crenças e religião. Assim Deus seria a "criatura" que sempre existiu e sempre existirá. Para entedermos isso devemos nos desprender de alguns conceitos que temos. Deus seria atemporal. Para ele o tempo não passa .. ele sempre existiu .. logo não existe ontem .. nem amanhã.Agora pense no seguinte: porque a Terra orbita? Por estar atraída pela força gravtacional do Sol. E por que o sol orbita? Por influência da força gravitacional de estrelas ainda maiores. E seguindo nessa linha de raciocinio, pq o universo se movimenta? o q impulsiona o universo? o q poderia ser maior q o universo? outro universo? e por tras deste outro? o q haveria no final da cadeia? Deus. Ao meu ver Deus estaria imóvel, impulsionando o universo e dando fim a essa cadeia.

....................................

Eu não pretendia postar textos que não fossem originais (meus), mas este realmente merece um espaço, pois ele simplesmente diz tudo o que penso, de uma maneira clara e objetiva. Surgiu em uma discussão, e foram escritas por um menino muito inteligente, que em poucas linhas, disse tudo o que havia para ser dito. Não entendo como (e nem porquê) tanta gente fecha a cabeça e recusa-se a acreditar na existência de alguém maior. Einstein, um dos maiores gênios da humanidade, acreditava veementemente na existência Dele. Quem não quiser acreditar em mim, que então acredite no homem que descobriu a teoria geral da relatividade.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

No Angel

Inconsciente, sob a lua
Na noite gelada
Ao teu lado na rua
Não lembro de nada...
Alheia a tudo
E de tudo esquecida
Anjo cego, anjo mudo,
De asas caídas
Mensageiro da dor
E da desilusão
Feri teu amor
E o teu coração
Não sou anjo nem flor:
Fria pedra do chão.
Feri teu amor,
Não mereço perdão.

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Chegou a hora de assoprar a velinha

Chegou a hora de assoprar a velinha, vamos cantar aquela musiquinha...Oba, mais um aniversário (ironia açucarônica), mais um aninho de vida, mais bolo, presentes cada vez mais "de gente grande". Sem falar naquela encheção básica e corriqueira, de gente mais velha fazendo questão de te lembrar que tu também envelheces, algumas com descarado e altíssimo nível “ofídico”, outras mais discretas (dissimuladas) e enrustidas (enrustimento, este, que desaparece gradativamente com o tempo), mais, afinal, à parte as dissimulações, o “veleno”* é o mesmo...
Tudo bem, foi exagerada a maldade de minha parte, aniversário tem seu lado bom (que compensa os outros). Amigos que não te esquecem (finge que eu não sei que o orkut mostra os próximos anívers), sorrisos, abraços, piadinhas carinhosas sobre minha maioridade, cartões (AMO CARTÕES!!!), cartinhas, e-mails, recadinhos no orkut, cachorro-quente (AMO CACHORRO-QUENTE!!!) na refreskata, de manhã e de noite (aqueles ao metro), com sorvete depois (por favor, não façam mais aquela piadinha da “perna-oca”, porque não tem mais graça). Esse ano tive direito até a “parabéns”, cantado no fundão do Santa Lúcia, na volta da UCS. Se sentir amada pelas pessoas que se ama, não tem preço (sem alusões ao comercial, please)...
Mas o melhor de tudo é repensar e rever o ano que passou, e perceber que os antigos amigos, aqueles do peito, que sempre estiveram por perto, continuam, de um jeito ou de outro. Perceber que os amigos novos, se não preenchem o espaço deixado pelos antigos (porque isso seria impossível), ao menos ocupam um novo espaço, o que nos conforta e ajuda a aceitar que a vida segue, mesmo que, muitas vezes, não seja possível rever aquelas pessoas queridas que acabam ficando pra trás, deixando aquela saudade, dolorida mas alegre pelo tempo passado juntos...Também é bom sentir que mais uma fase da vida passou, e que, se não foi plenamente vivida, ao menos deixou lições para a próxima. Não tenho medo de que o tempo passe, pois sinto que cada fase da vida tem seus encantos e aprendizados, e que não vale a pena perder um precioso tempo de aprendizados, querendo ser o que já não se é e não se pode mais ser, pois evoluímos com o tempo. É como tentar voltar a ser uma ameba, depois de milhares de anos de evolução – se bem que tem gente que, se não consegue, pelo menos chega bem perto...
Mas olha eu aqui já viajando, bem longe de onde eu saí (comecei falando de aniversário, e acabei falando de amebas – de duas pernas ou não). Melhor parar, antes que comecem a achar que eu ando fumando maconha e agora, já com idade pra ser presa, mais cuidado ainda...


* Veneno, pra quem não captou.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Jardins

Minha vida está dividida
Em dois jardins separados
O da morte e o da vida
O da alegria e o do enfado

No jardim das minhas fraquezas
Cada flor é uma tristeza
E cada lágrima uma semente
Lançada à terra ainda quente,
Logo após profunda dor.

Nesse jardim não vejo cor
Apenas observo o vento
Transformar meu fraco lamento
Em versos soltos ao léo
Capturados e presos em uma folha de papel.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Hoje não.

Opa, hoje não...
Qual o limite entre ser tudo e não ter nada?
Até quando é possível ocultar o que se é e o que se tenta parecer, para não precisar admitir o quanto somos fracos, vulneráveis e completamente normais?
Não, não muito tempo. E hoje é o dia. Sim, chega de fingir, mentir, esconder e agredir para proteger o seu segredo, que de segredo, há muito não tem nada.
Finalmente! Ela acordou e decidiu ser, buscar e agir, parou de existir e encenar e...Nossa! Quanto infinitivo. Isso me lembra uma música, dos tempos felizes dela: “Infinitivamente pessoal, eu querendo (...) aprender o total do querer que há e do que não há em mim”...E por falar em “tempos felizes”, quando foi mesmo que eles acabaram? Ah, por que ela se esforça tanto para não ouvir a resposta? A verdade é que eles nunca existiram...
Mas eu consigo sentir a mudança. Ela está dizendo alguma coisa, mas eu não consigo ouvi-la porque a música está muito alta. Infelizmente é o único jeito verdadeiro de falar sobre ela: estourando os meus tímpanos, pois se eu os desse a ela, acabaria ouvindo o que ela tem a dizer, e pior: acreditando.
Já chega de dar ouvidos ao que ela tem a dizer, já passou da hora de tirá-la do controle, pois ninguém é mais descontrolada do que ela, e, afinal de contas, eu precisava fazer alguma coisa, principalmente por mim.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Ela acorda e abre os olhos...

...não sem antes pensar que nada neste dia o fará ser diferente de todos os outros. Não sente vontade alguma de levantar da cama, ainda mais sem motivo algum para ser e existir, no que ela costuma chamar de “selva”.
Ela é morena, razoavelmente alta e dona de olhos castanhos, cuja cor, apesar de comum, esconde algo que ela tenta decifrar diariamente em frente ao espelho, numa constante busca por algo que a torne diferente a seus próprios olhos. Não acredita quando outros dizem que é bonita, mas ainda assim não desiste de observar o espelho, na procura por sabe-se-lá-o-quê...
Levanta para lavar o rosto, e, mesmo quando sem fome, dirigir-se à cozinha para tomar café da manhã. Detesta rotinas, mas vive presa a elas; mesmo quando se vê livre, acaba inconscientemente tentando repeti-las, talvez por serem tudo que resta do tempo em que sorria livremente.
-Ótimo, quem está aí? – pergunta ela ao deparar-se com a porta do banheiro trancada, irritada sem saber o porquê. O motivo da irritação é simples: uma mínima quebra da teia que envolve seu dia e rege sua vida são capazes de desencadear uma reação exageradamente ríspida e mal-humorada, capaz de estender-se o dia todo. Ela é bastante conhecida por seu mau humor e inconstância, porém, recusa-se a admitir isto para si mesma. Absolutamente normal...
-Já estou saindo! –responde a voz do lado de dentro do banheiro. – Acordou para fora da coberta, foi?
Ela não responde, simplesmente ignora aquela pequena quebra do seu ritmo diário, e tenta prosseguir livremente seu dia, como se nada houvesse ocorrido.
Ela lê enquanto toma café, e quase sempre passa do horário pré-determinado para vestir-se e sair, mas quase nunca se atrasa. Levanta-se vagarosamente, como se isso pudesse retardar seu ingresso na “corrida de ratos” (leia-se: trabalho).
Ela abre a porta, sente o vento frio em seu nariz e volta para pegar um casaco. Ela está de calça preta esportiva, tênis e jaqueta de moletom, e seu casaco não tem absolutamente nada a ver com sua roupa, mas e daí? Ela já não tem mais vontade alguma de vestir-se bem e chamar atenção, como antes gostava de fazer, do contrário: quanto menos gente notar sua presença por onde ela passar, melhor ela se sentirá.
Também no ônibus ela lê, pois ainda não inventaram melhor fuga da realidade (excetuando-se, obviamente, o sono), e isso é tudo o que ela necessita para proteger-se.
E assim segue seu dia, de preferência sem quebras e sobressaltos, pois depois da aula ela ainda precisa voltar para casa e ter forças para ir deitar-se sem pensar em como começará o dia amanhã, pois, como o dia anterior, nada o diferenciará de todos os outros...(será?...)

sábado, 10 de setembro de 2005

Ontem (só mais um detalhe...)

Tá, bom, eu sei. Não, não precisa falar denovo, nem fazer essa cara de quem está tentando ensinar o cachorro a fazer xixi no lugar certo. Você venceu, não precisa me lembrar de que só tenho dezessete (e portanto, não entendo nada de nada) e que estou sendo injusta, pedindo que me escute quando digo que não estou satisfeita com a minha vida. É claro, você está certíssimo, o fato de você fazer parte dela não significa nada, é exatamente como você disse: só um detalhe. Falando em detalhes, já te falei da minha adoração por eles? Ah, esqueci, isso não te interessa nem um pouco, bem como todo o resto das coisas que eu digo...são muito pequenas e insignificantes diante de um universo tão imenso e importante quanto o teu. Não importa que eu já não agüente mais fazer as mesmas coisas, nos mesmos horários, vendo as mesmas pessoas, contanto que eu continue aqui. Mas mesmo que não escute, vou falar: cansei. Cansei mesmo. E de vez. Como assim do quê? Não estava prestando atenção no que eu disse? Não.
Sabe do que eu sinto falta? De poder dizer “sim” a um convite doido, inesperado, no meio da noite de sábado, sem precisar me importar com mais nada. De, no caminho, olhar pra cima e ver estrelas, sentindo o vento frio da noite bater no meu rosto, tentando decidir se realmente estou ou não com frio. De ouvir a opinião sincera de um amigo sobre uma determinada cor ou tipo de roupa, ao invés do habitual “tanto faz”. E sinto falta de ser ouvida, de elogios, de beijos por gosto (não por obrigação), de liberdade musical, de alguém concordar comigo. Mas tudo isso não importa, porque hoje você está muito cansado para ouvir esse monte de besteiras que eu estou te falando, não é? Afinal, são besteiras, só detalhes. Tudo bem, eu entendo. Mas amanhã talvez eu já não queira mais falar. Talvez eu já não esteja mais interessada em tentar reparar coisa alguma...

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Detalhes, detalhes...

É impressionante como as pequenas coisas, que, aos olhos masculinos são tão insignificantes, alteram tão bruscamente o universo feminino. Por exemplo: Quando o cabelo acorda desarrumado, ficamos completamente horríveis, não conseguimos sequer escolher uma roupa, parece que o dia inteiro desaba. Em contrapartida, logo depois de uma escova “power”, até andamos diferente na rua, como se estivéssemos prontas para deixar o mundo cair a nossos pés. Exagero? Não é, não. Mesmo um pequeno corte de cabelo, nem que sejam só as pontinhas, faz toda a diferença. Nada mais natural que achemos que “tamanha diferença” seja notada por todos, principalmente pelas pessoas que nos rodeiam, inclusive os cruéis, insensíveis e ingratos homens, que, aliás, nunca reparam nos pequenos detalhes (inclua-se aí: roupas, sapatos, brincos, cores, enfim, tudo o que seja fundamental para o nosso bom humor). [Só um pequeno aparte para não ser injusta: eu conheço, sim, um homem (um único homem) que tem a incrível (nos homens isto pode ser considerado um prodígio) capacidade de notar os pequenos detalhes. E é o único.] E ainda por cima acham ridiculamente injusto o fato de ficarmos iradas com isso! Tudo bem, a culpa é nossa mesmo. Quem manda exigirmos tanto deles? Temos que aprender a nos conformar com o fato de que nem todos têm nossa incrível e admirável capacidade de fazer as coisas grandes sem desprezar as pequenas...